Ao ouvir aquelas palavras, tão parecidas com uma despedida, Décio sentiu um calafrio no fundo do coração.
Gustavo já havia enfrentado tantas tempestades e perigos, e nunca antes pronunciara tais palavras.
Mesmo sabendo que a probabilidade de morrer era alta, ele jamais pensara em deixar um testamento.
Pois, neste mundo, ele não tinha nenhum laço que o prendesse.
Deixar uma herança tão cobiçada após sua morte, e ver os outros brigarem por ela, era algo que satisfazia o lado mais perverso de Gustavo.
No entanto, desta vez, ele até fez um testamento.
A garganta de Décio ficou seca. “Sr. Junqueira, o patrimônio da família Junqueira é realmente grande demais e atraente; somente a Sra. Aragão talvez não consiga protegê-lo sozinha, e isso pode até atrair desgraça para ela...”
Sua intenção, na verdade, era convencer Gustavo a lutar pela própria vida e continuar protegendo Verônica.
Contudo, Gustavo respondeu: “Talvez antes ela não fosse capaz, mas agora, ela não fica atrás de ninguém.
Se realmente algo me acontecer, você e Március devem protegê-la e apoiá-la.”
Décio disse: “Se não fosse por Leonardo, que fez tantas intrigas, Verônica não teria se colocado em perigo tantas vezes. Por que o senhor não o desmascara?
Mesmo que a Sra. Aragão não acreditasse, ao menos desconfiaria dele.”
Por quê?
Porque até agora, ele não conseguia ter certeza de quem, no coração de Verônica, era mais importante: Leonardo ou ele próprio.
Se realmente morresse, a carta que deixaria para ela seria enviada automaticamente.
Gustavo não continuou o assunto, apenas disse: “Vá se preparar, não dê tempo para os Correia reagirem.”
Vendo que Gustavo já havia tomado sua decisão, Décio apenas pôde aceitar, resignado.
Quando estava prestes a desligar, Gustavo o chamou novamente.
“Aliás, não conte nada disso à Verônica por enquanto.”
Décio respondeu: “Entendi.”
...
Verônica estava sentada em seu quarto, analisando os acontecimentos recentes da família Correia e mergulhou em reflexão.
Verônica assentiu levemente. “Só conhecendo o motivo dos Correia, podemos tomar a próxima medida.”
Entretanto, diante do cenário atual dos Correia, fosse quem fosse, o risco de se ferir ou até de perder a vida era muito alto.
Mas havia uma certeza: Gustavo não poderia ir de jeito nenhum.
Se Gustavo fosse, havia uma grande chance de que... ele realmente não voltasse.
Nem Verônica, nem Jaulino, podiam esperar que um sequestrador tivesse compaixão e libertasse Guilherme.
Após alguns segundos de silêncio, Jaulino disse: “Eu posso negociar com os Correia. Não tenho envolvimento direto com o caso, talvez eles não reajam de forma tão violenta ao me ver.”
Verônica sabia que Jaulino apenas queria tranquilizá-la.
Para pessoas como os Correia, já sem saída, qualquer um que fosse estaria em risco.
Verônica balançou a cabeça. “Os Correia não são tão fáceis de enganar. Se nenhum dos envolvidos for, eles podem perder a esperança de vingança e agir de modo ainda mais extremo.
Aqui, ainda precisamos de você para coordenar e liderar o resgate. Fique.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Vida Ficou Incrível Após o Divórcio
O capítulo 538 não consigo desbloquear, pois quando tento consta erro. Como devo fazer?...