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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 287

"Érick"

O Andrey ficou em silêncio, ouvindo o que o advogado dizia do outro lado, enquanto me encarava com os olhos e a boca cada vez mais escancarados.

- Reverta isso, Dr. Barros. Exija a comprovação da gestação e o DNA. Rápido! O Érick quer essa mulher fora. Faça o que precisar fazer, mas acaba com isso. - O Andrey desligou o telefone e me encarou. - Era o advogado. A sua esposa, a perfeita, acima de qualquer suspeita, digna, herdeira, calma e controlada...

- Chega, Andrey! Eu já entendi que fiz uma grande merda! Me diz logo o que o advogado disse e depois pode continuar me massacrando. - Eu falei de forma ríspida.

- O advogado da Victória já informou ao juiz da gravidez e conseguiu uma liminar para que ela tenha direito de continuar morando na sua casa e uma pensão já estipulada. O Dr. Barros vai contestar, mas ele avisou que isso complica tudo. - O Andrey declarou e nós dois deslizamos nas cadeiras em choque.

- Érick, o que aconteceu? - O Andrey perguntou, agora num tom mais calmo, de quem tenta entender a situação.

Eu expliquei aos dois todo o caos que havia sido a minha manhã. Eu mesmo estava em um estado deplorável. À medida que eu repetia a história eu ficava mais furioso com a Adelaide, com a Victória, mas sobretudo comigo mesmo. Eu me meti naquela situação e agora estava me afogando nela sem saber o que fazer.

- E você chamou a Lorena de oportunista interesseira... quando você souber... - O Julian bufou.

- Quando eu souber o que, Julian?

O Julian piscou os olhos devagar, engoliu em seco e ajeitou a gravata, recuperando a sua postura de calma e eficiência no gerenciamento de crises. Ele me encarou com uma seriedade implacável.

- Acalme-se, Albelini. Tem uma chance enorme da Victória Lemos estar mentindo. Essa história de alfinete é uma jogada desesperada para ganhar tempo. - O Julian sugeriu.

- Eu estou preso! Estou preso com essa mulher enquanto deixei a Lorena escapar... - Eu finalmente desabei... lágrimas de puro remorso e fúria contida escorriam pelo meu rosto, a minha mente rodando no desespero. - O que eu faço? Eu descobri que a minha fada era inocente, descobri que a Adelaide forjou o dossiê, descobri que a Victória é um embuste preparado pela Adelaide. Eu quero a Lorena de volta para mim! Mas você mesmo disse, Julian, eu não posso ir atrás dela estando casado com outra e com a ameaça de um filho, porque por mais que eu odeie admitir, existe uma possibilidade bem pequena da história da Victória ser verdade. O que eu faço? A Lorena nunca vai me perdoar se descobrir que eu vou ter um filho com outra!

- Érick, cale a boca, engula o desespero e recupere a calma agora mesmo. - O Andrey ordenou com uma firmeza, a voz como aço. - A lei protege o ventre, mas você não precisa ficar preso nisso para sempre. Se ela se recusa a fazer o exame voluntário, nós vamos encontrar uma maneira de fechar o cerco ao redor dela. Mas enquanto você estiver casado, você não vai atrás da Lorena, ou isso pode dificultar ainda mais as coisas, vamos evitar que ela aponte ao juiz que você tem uma conduta desonrosa e ganhe a simpatia dele.

Eu encostei a cabeça contra a madeira da mesa do escritório, me agarrando ao fino fio de esperança que eles me davam, mas o peito continuava sangrando por dentro.

- O que eu faço com aquela mulher naquela casa? - Eu perguntei, pedindo por socorro.

- O mesmo que você tem feito brilhantemente desde o dia do casamento. - O Andrey comentou e eu ergui a cabeça para vê-lo dar de ombros com um sorriso sarcástico. - Ignore-a!

- Eu preciso me livrar dela. - Eu suspirei. - Você já descobriu como aquela cachorra mentirosa entrou aqui, Julian? Não é possível que o portifólio dela chegou na minha mesa sem que ninguém verificasse antes.

- O Andrey tem razão. Vamos nos acalmar. Eu vou revirar os rastros dessa mulher até descobrir o passado dela, Érick. - O Julian garantiu. - Eu estou quase lá. Eu descobri uma ponta solta. Nós vamos te salvar dessa burrice monumental que você cometeu. E a Lorena... ela é melhor que você, felizmente, e isso te dá uma chance de consertar as coisas.

- O que você descobriu? - Eu o encarei.

- Qual o vínculo dele com a Victória? - Eu precisava saber.

- Olha, eu fiquei meio em dúvida do que fazer, mas ele me garantiu que ela era uma herdeira de boa família e que não seria problema. Eu juro que não sei de mais nada.

- Você me traiu. Você é menos que um rato! Você está demitido por justa causa e não conte com uma recomendação nossa. Saia da minha frente e saiba que eu estou de olho no Simão e em você, chegue perto dele e eu faço da sua vida um filme de terror. - Eu o adverti friamente, apontando para a saída.

O homem saiu da minha sala chorando e tropeçando nos próprios pés, nem teve coragem de negar nada. Assim que a porta se fechou, eu encarei o Julian e o Andrey.

- Um fraco e o Simão sabia. Ele conhecia todos nessa empresa. - Eu pensei por um momento. - Julian, o que temos sobre o nosso sócio misterioso? É possível que ele seja o Simão?

- Eu até desconfiei disso, Érick, mas não rastreei nada. Contudo, depois dessa confissão desastrada, eu duvido que seja o Simão. Se fosse ele, o Balthazar teria colocado a Victória aqui, no entanto, foi justamente o Balthazar que encontrou os furos e a auditoria que o homem dele fez foi impecável.

- Quem é esse sócio na sombra? - Eu murmurei para mim mesmo.

- Eu estou começando a acreditar que realmente é um salvador. - O Andrey soltou. - Nós temos que descobrir como a Victória se liga ao Simão. Quer saber, Albelini, esqueça a vida pessoal, nós precisamos resolver os problemas da holding. O advogado vai cuidar do seu divórcio, depois disso você vai atrás da Lorena, mas por enquanto, vamos resolver a bagunça na empresa antes que seu império desabe.

- O Andrey tem razão, Albelini. Foca no trabalho. - O Julian concordou. - Por enquanto eu fico de olho na Lorena pra você.

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