A luz no teto caía de cima para baixo, deixando o rosto belo de Antônio Jordão na sombra. Fixando-a com o olhar, ele perguntou:
— Qual é o seu nome?
O rosto de Sabrina Silva adquiriu uma palidez bem tênue. Pausando cada sílaba, ela respondeu:
— Sabrina Silva.
— Pense bem no que quer; agora ainda dá tempo de se arrepender. — Antônio Jordão lhe deu a chance de uma última escolha.
Sentindo algum incômodo, Sabrina se moveu de leve, então Antônio franziu as sobrancelhas levemente e rosnou num tom baixo:
— Fique quieta!
Ela ficou com tanto medo dele que não ousou se mexer mais. Apenas o encarava paralisada. O corpo dela foi ficando cada vez mais tenso e rígido.
Ela estava tensa demais. Prendeu a respiração a ponto de o ritmo ofegante prejudicar a sua capacidade de falar com clareza:
— Eu pensei exaustivamente bem antes de chegar até aqui. Caso contrário, eu não o procuraria.
Dedicou incontáveis dias amadurecendo aquilo para tomar a decisão.
No caminho até ali, também teve momentos de arrependimento. Mas...
Pensar naquilo fez com que um sorriso melancólico de autodepreciação surgisse no canto da sua boca, enquanto uma tristeza vazia se instalava no fundo de seus olhos.
Ao notar o devaneio da mulher, bem como um certo grau de tragédia subliminar perambulando em suas feições, o coração de Antônio sofreu uma leve comoção:
— De quanto você precisa?
Ela o observou desnorteada:
— O quê?
Ele franziu a testa, assumindo uma postura mais fria:
— De quanto dinheiro você precisa?

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