Nos dias seguintes, Sabrina viveu uma calmaria em sua rotina no Grupo Zenith.
Em parte porque Antônio estava viajando a negócios nos Estados Unidos, e em parte porque o avô Silva retornara para Auckland.
No terceiro dia da viagem de Antônio, após o fim do expediente, os colegas já haviam saído. Sabrina acabara de desligar o computador e se preparava para ir embora quando Flávia a chamou:
— Sabrina, você pode me fazer um favor?
Apesar de um tanto inflexível, Flávia era uma pessoa decente. Sabrina abriu um sorriso:
— Claro.
Flávia entregou-lhe um molho de chaves junto com o código de segurança da casa:
— Estas são as chaves da mansão do Sr. Jordão. Por favor, vá lá e mande-lhe o código de programação anotado na última página do caderno na mesa do escritório dele. Tenho que buscar alguém no aeroporto e não vou chegar a tempo. Peço essa gentileza.
— Isso... não é uma má ideia? — Ela relutou um pouco. A casa de Antônio era o tipo de lugar que qualquer um poderia entrar e sair?
Flávia compreendeu seu receio. Pegou papel e caneta e rabiscou dois e-mails apressadamente:
— O de cima é do Sr. Jordão. O de baixo é o meu, junto com a senha. Se você enviá-lo em meu nome, pelo meu e-mail, ele não vai descobrir o que houve.
Sabrina achou aquilo tudo muito suspeito:
— Não tem empregada?
— O Sr. Jordão vive sozinho na mansão na baía Sul. A empregada tirou licença médica.
Vendo o nervosisismo de Flávia, Sabrina acabou concordando.
Flávia anotou o endereço de Antônio e correu ansiosa em direção ao aeroporto.
Assim que saiu, Seu Wanderley encostou o carro. Observando seu cansaço apático, ele indagou:
— Sra. Sabrina, problemas no trabalho hoje?

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