Sem dúvida, aquela era uma forma indireta de lhe revelar o paradeiro de Heitor Henriques. Os seus olhos escuros brilharam com ainda mais intensidade, e ela ergueu o rosto para beijar-lhe o canto dos lábios.
Antônio Jordão deu mais uma tragada no cigarro, o pomo de adão rolando sensualmente pelo pescoço:
— Não comemore tão cedo.
Sabrina Silva olhou para ele, confusa, aguardando que continuasse. Ele apagou a metade restante do cigarro e prosseguiu:
— É necessário ter um convite para entrar no evento.
O olhar dela encheu-se de esperança ao encará-lo:
— Você também foi convidado?
Antônio Jordão murmurou em concordância. O brilho negro dos olhos dela intensificou-se, mas então ele acrescentou:
— Eu nunca levo acompanhantes femininas para os banquetes.
O coração, que momentos antes transbordava de alegria, murchou instantaneamente diante daquelas palavras.
Fazia sentido. Antônio Jordão trocava de amante periodicamente, mas nunca estivera envolvido em escândalos com mulher alguma. O motivo era simples: ele sempre comparecia sozinho a todos os eventos sociais, jamais levando acompanhantes.
— Então, posso lhe pedir um convite?
Com a posição e o status que ele possuía, bastava uma palavra para que a Sra. Xavier providenciasse outro convite na mesma hora.
A recusa veio quase sem hesitação:
— Não.
Sabrina Silva deu um pequeno sorriso, afastou os fios de cabelo grudados na bochecha, levantou-se e enrolou-se numa toalha:
— Vou tomar banho.
Entrou no banheiro, pendurou a toalha no suporte e abriu o chuveiro. A água morna escorreu suavemente por seu corpo pálido.
Em determinado momento, pareceu ouvir batidas na porta do quarto. Antônio Jordão atendeu, mas não houve vozes de conversa. Instantes depois, apenas o som da porta se fechando reverberou no ambiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Única Exceção do Magnata