Sabrina entrou no banheiro e saiu mais de dez minutos depois. Antônio estava sentado no sofá com o notebook no colo e, ao vê-la com os cabelos molhados, franziu a testa:
— De agora em diante, não lave o cabelo quando estiver tão tarde.
Sabrina, vestindo um pijama de algodão que acentuava a fragilidade de seu corpo magro, respondeu:
— Eu não conseguiria me acostumar.
Antônio deixou o notebook de lado e ligou o aquecedor:
— E esse não é um bom hábito.
Ela voltou ao banheiro para secar o cabelo. Quando saiu, não parava de bocejar. Antônio já estava deitado na cama, esperando por ela sob a luz suave do abajur. Ela se enfiou debaixo das cobertas e se aninhou nos braços dele:
— Amanhã é fim de semana, não preciso trabalhar.
Um sorriso fraco aflorou nos olhos de Antônio:
— Você poderá dormir até mais tarde.
Ela estava exausta. Apoiada no peito quente dele, o sono tomou conta e, em meio ao torpor, murmurou um "Mhm".
...
No dia do funeral de Ricardo Guimarães, Sabrina e Antônio também compareceram. O tempo estava cinzento, com uma névoa densa e escura que pesava no ar, dificultando a respiração — um cenário perfeitamente condizente com a ocasião.
Em Alvorada, a Família Jordão era o clã mais proeminente, seguido logo depois pela Família Guimarães. Por isso, muitas pessoas compareceram ao funeral de Ricardo para prestar suas homenagens.
Gustavo estava todo de preto e, ao seu lado, estava Sofia Silva, usando um vestido preto. Ambos usavam faixas pretas de luto nos braços.
Em contraste com Dona Guimarães e as outras duas mulheres que não paravam de chorar, a expressão dos dois era melancólica, porém serena.
Ao ver Sabrina se aproximando de braços dados com Antônio, Sofia olhou instintivamente para o homem ao seu lado.

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