O aroma sutil do gel de banho no corpo de Antônio Jordão, mesclado com seu próprio cheiro masculino, penetrou e preencheu as narinas dela.
Ela recuou dois passos, aumentando a distância entre eles. O cheiro masculino que exalava do corpo dele era muito intenso, tão intenso que a fez recordar o aroma de hormônio masculino que ele transpirava quando ambos estiveram juntos.
Os olhos gélidos de Antônio Jordão se fixaram nela. Ao notar as bochechas coradas e o olhar divagando de um lado para o outro, ele surpreendentemente ergueu uma sobrancelha:
— Está fantasiando sobre mim?
— Não diga bobagens.
Aquela frase dita em tom de brincadeira fez o rosto de Sabrina corar intensamente, com a vermelhidão se espalhando até as orelhas.
Ao contemplar o rosto ruborizado da garota, ele ficou ainda mais convicto de que o seu palpite estava correto e falou com um meio-sorriso:
— Não precisa fantasiar, você será bem-vinda para se jogar em mim sempre que quiser.
Sabrina: "..."
Ela fugiu para a cozinha totalmente amedrontada. Permanecendo diante da pia, deu tapinhas no próprio rosto ardendo, mas os batimentos desenfreados no seu peito não podiam ser contidos de forma alguma.
Antônio Jordão viu a expressão atordoada que ela fazia. Um discreto sorriso curvou os seus lábios finos, e o brilho resplandecente no fundo dos olhos negros indicou que seu humor estava ótimo.
Sabrina soltou uma longa lufada de ar, acariciou a própria barriga roncando e recomeçou a preparar a comida.
Antônio Jordão cruzou as longas pernas e sentou-se preguiçosamente no sofá. Ao ouvir os leves ruídos vindos da cozinha, teve a vaga ilusão de estar em casa.
Nos tempos de universidade, ele frequentemente fantasiava que, ao voltar para casa depois do trabalho todos os dias, veria a mulher que amava preparando a comida para ele, esperando-o voltar.
Mais tarde, aquela mulher foi embora com outro, para outro lugar, e ele nunca mais teve esse tipo de pensamento.
No entanto, hoje, ao ver Sabrina alegremente ocupada na cozinha, aquele pensamento surgiu novamente do fundo de seu coração.
Para os três, Sabrina preparou quatro pratos distintos e uma sopa — alguns pratos caseiros bem simples —, colocando-os na mesa em seguida. Antônio Jordão adentrou na cozinha e buscou os talheres e tigelas para dispor na mesa.
Sabrina viu que ele providenciara utensílios apenas para duas pessoas, perguntando com confusão na voz:
— Cadê o Cael Castro?

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