Sabrina ergueu o rosto para admirar o edifício que parecia tocar as nuvens. A luz radiante do sol derramava halos coloridos à sua volta.
Empurrou a porta de vidro e entrou. A recepcionista estava ao telefone, então ela aguardou.
Quando a mulher desligou, Sabrina disse com um sorriso:
— Olá, sou Sabrina Silva. Tenho um horário marcado com a editora Clarice.
Com um sorriso profissional, a recepcionista a conduziu até a sala de visitas, serviu-lhe um copo de água e pediu:
— Senhorita Silva, por favor, aguarde um momento.
Pouco depois, uma mulher na faixa dos trinta anos abriu a porta. Tinha uma pele muito bem cuidada, o que impedia que se adivinhasse sua verdadeira idade. Vestia-se com elegância e transbordava classe.
— Senhorita Silva, me desculpe pela demora.
Sabrina levantou-se e estendeu a mão:
— Como vai, Dona Clarice?
Clarice apertou-lhe a mão e sentou-se à sua frente, com um sorriso refinado no rosto:
— Já que foi indicação do Leonardo, não precisava nem ter se dado o trabalho de vir a essa entrevista. Era só chegar e começar a trabalhar.
O tom dela era calmo e trazia até uma certa familiaridade.
Sabrina abriu um sorriso, mas sentiu a obrigação de alertar:
— Dona Clarice, não sei se o Leonardo chegou a mencionar, mas não tenho nenhuma experiência profissional.
Depois que se formara na Califórnia, passara o tempo todo pintando e desenhando ao ar livre. Jamais havia trabalhado antes.
Ela sabia que só conseguira a vaga nos bastidores da revista graças ao apadrinhamento de Leonardo Marinho.
Ainda assim, considerou essencial fazer a entrevista pro forma, para não correr o risco de ser isolada pelos futuros colegas.

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