— A sua forma de agradecer é, sem dúvida, muito peculiar. — Ela deu uma risada fria, sem disposição para adivinhar o que era verdadeiro ou falso nas palavras dele, e gritou em voz alta: — Pare o carro!
Cael Castro, pelo espelho retrovisor, notou a expressão no rosto de Antônio Jordão e encostou o carro na calçada.
Sabrina Silva abriu a porta e saiu. Antônio desceu do carro no mesmo instante, adiantou-se em passos rápidos e agarrou-a pelo pulso. O seu perfil severo e impassível ganhava um ar excepcionalmente profundo sob as luzes amareladas do poste:
— Você enlouqueceu?
Ela lançou um olhar breve, com um sorriso de escárnio no rosto:
— O que te importa se eu enlouqueci?
Antônio sabendo do mau humor dela, moderou a voz:
— Entre no carro, vou te levar para casa.
Ela soltou-se do aperto firme dele, soltou o ar profundamente, e a agitação descompassada de seu peito se estabilizou aos poucos:
— Posso pegar um táxi e ir sozinha.
A falta de gratidão de Sabrina o irritou. Ele a encarou de forma sombria e levantou o pulso esquerdo, enquanto batia o indicador direito no relógio caríssimo:
— Olhe bem as horas. Já chega de palhaçadas?
Nos cantos de seus lábios aflorou um sorriso frio:
— Ninguém pediu para você ficar gastando o seu tempo com esta mulher maluca que sou.
Antônio sentiu que ela era simplesmente irrazoável. Os seus olhos intensos cobriram-se com uma névoa densa e escura, e ele declarou, frio:

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