Ele desceu os degraus com passos firmes em direção a eles. Ao se aproximar, fez um leve aceno com a cabeça para Thiago, antes de fixar os olhos em Sabrina:
— Por que chegou tão tarde?
O tom era contido, mas havia um perceptível toque de irritação na sua voz.
Ela mordeu o lábio, tentando ignorar a fisgada no estômago:
— Fui ao hospital e depois saí para comer com o Thiago.
Sua voz calma agora soava levemente inquisitiva:
— E o seu celular? Por que não atendeu às ligações?
Se ela dissesse que havia deixado a bolsa com o celular no carro de Antônio, ele certamente não acreditaria.
— Ficou no carro. Uma colega de trabalho acabou levando o veículo.
Notando o tom hostil, Thiago deu um leve tapinha no peito do amigo:
— Ei, por que tanta seriedade? Parece que você está interrogando um prisioneiro.
Como ela estava voltando tão tarde, ele estava apenas preocupado, e isso havia tornado sua maneira de falar um pouco mais ríspida.
Gustavo observou o rosto pálido dela e franziu os lábios de leve:
— Entre. A partir de agora, tente voltar mais cedo para evitar que os outros fiquem preocupados.
O rosto de Sabrina perdeu ainda mais a cor. Ele usara a palavra “os outros”. Antigamente, ele sempre dizia: Boas garotas voltam para casa na hora certa, para evitar que eu fique preocupado.
O pronome mudara de “eu” para “os outros”. A dor no estômago pareceu piorar. Ela não queria se dar ao trabalho de analisar quem seriam esses “outros”.
A única pessoa ali capaz de se preocupar com ela seria, provavelmente, Teresa Silva.
Ela suportou a forte dor no pé e deu um passo à frente. Thiago cutucou Gustavo de leve e apontou com o queixo, como se dissesse: Se não pode carregá-la, pelo menos ajude a ampará-la.

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