Ela pegou a pomada, espremeu um pouco na ponta dos dedos e espalhou uniformemente sobre o tornozelo. Como acabara de aplicar gelo, a pomada não trouxe nenhuma sensação fria à pele.
Após aplicar o remédio, ela se levantou para ir ao banheiro lavar as mãos. Assim que ficou de pé, Antônio agarrou seu pulso, franzindo a testa:
— Aonde pensa que vai?
Ela ergueu o dedo coberto de remédio com uma expressão de obviedade:
— Lavar as mãos.
— Sente-se. — Antônio soltou o pulso dela e entrou no quarto. Ao passar pela mesa de centro, esmagou a ponta do cigarro no cinzeiro, entrou no banheiro, molhou uma toalha, torceu para tirar o excesso de água e retornou à varanda.
Sabrina, tirando proveito da situação, sorriu de forma presunçosa ao pegar a toalha:
— Sr. Jordão, esta deve ser a primeira vez que abaixa a guarda para servir uma mulher, não é?
Os olhos de Antônio escureceram sutilmente; um momento de melancolia perpassou seu olhar antes que ele respondesse com indiferença:
— Não.
Enquanto limpava as mãos, Sabrina não notou a expressão dele. Achou apenas que ele temia que ela debochasse dele, por isso dissera aquilo para dar uma desculpa a si mesmo.
Diante de todos aqueles eventos barulhentos, Antônio sentia-se um pouco farto. Era raro conseguir um momento de paz, então fumou mais um cigarro antes de finalmente ir embora.
Enquanto Antônio esperava o elevador, na esquina do corredor, uma mulher espreitava sua silhueta alta e imponente.
Quando a porta do elevador se abriu, ele entrou. Virou-se e ficou de frente para as portas. A mulher, com medo de ser descoberta, recolheu rapidamente a cabeça e encostou-se à parede.
Ouvindo o "bipe" do elevador se fechando, a mulher apareceu e caminhou até a porta do quarto de onde Antônio havia saído.
Desde a festa de instantes atrás, Stella Xavier estava de olho em Antônio. Ao vê-lo sair do salão, ela o seguiu sorrateiramente.
Ela olhou a hora. Antônio ficara lá dentro por meia hora inteira. O que ele estava fazendo lá?
Hesitante por um momento, ela bateu levemente na porta, apenas para escutar uma voz de mulher lá dentro:
— Um instante.

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