— Irmã? — A voz clara e terna carregava um leve tremor, soando melodiosa aos ouvidos.
Desde o primeiro instante, ela gostou daquela irmã que nunca tinha visto. Sua aparência frágil e obediente fazia com que fosse impossível não querer protegê-la.
Ela assentiu:
— Isso, eu sou sua irmã. A partir de hoje, você vai morar aqui. Se alguém fizer bullying com você, me avise, e a irmã com certeza vai dar uma lição na pessoa por você.
Depois de dizer isso, lançou um olhar de soslaio, meio intencional, para uma das empregadas próximas, com uma expressão de alerta severo que fez a mulher baixar a cabeça, tremendo de medo.
Quando Sabrina fora trazida para a sala, aquela empregada, ao ver suas roupas gastas, revelou um olhar de profundo desprezo.
A garotinha piscou de forma travessa:
— Irmã, você é mais brava que a nossa professora.
Naquela hora, ela não sabia se ria ou chorava.
Mais tarde, ela ouviu Teresa Silva contar detalhadamente o porquê de sua irmã ter sido mandada para a interiorana Vila Serena, em vez de morar com elas na luxuosa Mansão Silva.
A partir daquele momento, ela decidiu que cuidaria daquela irmã com muito carinho, não deixando que ela sofresse mais nenhuma injustiça. Compartilhava tudo pela metade com ela, e as duas, às vezes, até trocavam roupas.
Naquela época, a relação delas era tão boa que conversavam sobre absolutamente tudo.
Certa noite, assim que se deitou para dormir, a porta do quarto foi empurrada e uma cabecinha espiou para dentro:
— Irmã, você já dormiu?
Ela ligou o abajur na cabeceira. Na porta, estava Sabrina usando um pijama de desenho animado. Ela perguntou, curiosa:
— Por que ainda não está dormindo?
Sabrina entrou no quarto e se escondeu sob o seu cobertor:
— Não consigo dormir.
Notando a expressão de empolgação no rostinho dela, ela sorriu, apertando os olhos:
— Acho que você não consegue dormir de tanta ansiedade.
Ao ter seu segredo descoberto, Sabrina fez um biquinho culpado e murmurou:
— Nada a ver.

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