O abraço continuava emitindo um calor reconfortante, e a camisa rescendia ao aroma da juventude de ambos; contudo, ela sabia que jamais desfrutaria dele outra vez.
Ele percebeu o desconforto que ela nutria, recaiu seus olhos na garota, abriu e fechou os lábios, mas não deixou nenhuma palavra escapar.
O capital despejado naquele resort era de dimensões incalculáveis; abrigava além das vilas relaxantes, águas termais, um lago exuberante, espaço equestre, área de diversões no campo, locais amplos para observar paisagens, sem contar com o safari rústico a céu aberto. O alojamento foi escolhido no próprio complexo de descanso.
O banquete de celebração alocava-se no primeiro andar, em uma enorme sala de festas; Sofia Silva esperava do lado de fora em inquietação; o celular de Gustavo chamara exaustivamente até o desespero de sua companheira, embora a resposta fosse o silêncio.
De forma turva, seus olhos detectaram o marido andando rumo ao salão enlaçado em Sabrina. Ela marchou rapidamente ao encontro de ambos.
Percebendo a chegada da mulher, Sabrina se tomou de choque, contudo, na intenção de inibir a suspeita, forjou calma:
— Minha irmã chegou. Me coloque no chão.
Ele espremeu os cenhos suavemente, curvou seu tronco devagar até que os solados da garota pousassem, mantendo-se como amparo em seus braços finos.
Para uma esposa habitual que topasse com o marido agarrado com outra, a ação certeira de Sofia seria desmascará-los com gritos enfurecidos perante qualquer infração, todavia, a mulher não atestou fúria.
Em vez de indignação, direcionou um olhar a Gustavo para indagar com suavidade logo em seguida a Sabrina:
— O que foi? Onde você se sente mal?
Ao repuxar o canto do lábio em riso, Sabrina sentiu-se afligida, demonstrando sossego:
— Irmã, machuquei a perna. É por isso que ele quis me botar dentro de algum quarto para descansar.
Bastou aquilo para solucionar o impasse que Sofia estaria processando e deduzir a situação, de forma sutil.
Diante do ocorrido de sua perna encurvada, o tom ríspido se soltou da boca da irmã:
— Até andando não sabe dar passo firme... Feriu fundo?
Visualizando que ela abdicava as preocupações escandalosas, o suspiro lhe desceu com tranquilidade na nuca:
— Não atrapalha de andar.
O olhar de Sofia caiu a Gustavo:
— Gustavo, carregue a Sabrina pros quartos que já busco algum medicamento de fora.
Paralisada em instantes, a vista de Sabrina deslizou entre a belíssima face de Gustavo e a vontade retida em barrá-lo, só que nem a companheira manifestava rejeição sobre a situação, ao ponto em que declinar-se renderia suspeição para ambas.
O aceno discreto que brotou com neutralidade partiu de Gustavo.

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