Todos na secretaria trabalhavam de cabeça baixa. Uma colega entregou uma pilha de documentos a Sabrina Silva.
— Precisaremos desses documentos à tarde, já os imprimi. Dê uma conferida para ver se não há nenhum problema.
Sabrina pegou a papelada e abriu um sorriso largo: — Claro.
Ao sair do escritório do presidente, Flávia Mendes notou que Cael Castro não tirava os olhos de Sabrina, então lhe deu uma cotovelada.
— Assistente Especial Castro, o que você está olhando?
Cael desviou o olhar e coçou o queixo: — Olhe para ela: sorridente, trabalhando com seriedade e sem a menor alteração emocional. Isso não faz sentido.
Flávia não entendeu o comentário dele. Será que ele não tinha nada melhor para fazer?
Ou será que ele só ficaria satisfeito se visse Sabrina chorando sem parar?
Ela fechou a pasta que segurava nas mãos: — E que estado você consideraria que faria sentido?
Cael se recordou do comportamento das mulheres anteriores e olhou novamente para Sabrina: — Baseado nos exemplos do passado, ela deveria estar agarrada ao Sr. Jordão, importunando-o sem parar. Mas olhe, não só não demonstra nenhuma tristeza, como, pelo contrário, parece estar de ótimo humor.
Flávia seguiu o olhar dele; Sabrina realmente não apresentava o menor traço de tristeza hoje, mas isso não significava muita coisa.
— É porque ela tem uma boa cabeça. — Flávia achou que ele estava completamente à toa, preocupando-se com bobagens.
O escritório do presidente tinha uma parede de vidro por onde se podia ver perfeitamente toda a secretaria. Normalmente, as persianas ficavam fechadas, mas hoje, havia uma fresta aberta.
Antônio Jordão estava parado diante do vidro, com um olhar calmo e inabalável fixo em um ponto específico da secretaria.
Aquela mulher, sem saber o que a colega da mesa ao lado havia dito, tinha os olhos curvados em um sorriso radiante e as pupilas claras brilhavam de energia.

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