Sabrina Silva afastou o celular do ouvido rapidamente, cobriu o bocal com a mão, olhou de soslaio para Antônio Jordão, deu duas risadinhas secas e continuou a falar com Teresa Silva.
— O trabalho ser puxado não é normal? O pai e a irmã também são assim às vezes.
Teresa suspirou de leve: — Não tem problema se o seu pai e a sua irmã se cansarem um pouco, afinal é a nossa própria empresa, mas você está na empresa dos outros, trabalhando para os outros.
— Mãe, eu já entendi. Já é tarde, vá descansar cedo.
Após encerrar a ligação, ela respirou fundo e jogou o celular de lado.
Antônio mordiscou o lóbulo da orelha dela, com um meio sorriso: — O trabalho é muito exaustivo? Fazendo hora extra?
Ela tentou se desvencilhar do abraço dele, mas sua cintura foi apertada com firmeza. Ela sorriu com os olhos semicerrados: — Não é exaustivo, não. Fazer hora extra é por minha própria vontade.
Antônio disse com segundas intenções: — Esta noite você deve mesmo fazer uma boa hora extra.
O rosto de Sabrina corou levemente, o que sob a luz do lustre de cristal a deixou ainda mais radiante e encantadora.
Ela deu um sorriso brilhante e charmoso: — Você não está cansado?
O sorriso nos olhos de Antônio era evidente: — Se estou cansado ou não, você vai descobrir depois de testar. — Assim que terminou de falar, ele cobriu os lábios dela com os seus.
Ela sentiu que, naquela noite, ele parecia diferente, terno e ao mesmo tempo fervoroso.
Quando terminaram desta vez, Antônio não se afastou imediatamente como de costume, mas encostou-se na cabeceira da cama e acendeu um cigarro.
Sabrina recostou-se no peito dele, ouvindo em silêncio o ritmo compassado de seus batimentos cardíacos.
Nenhum dos dois disse nada, e o quarto permaneceu mergulhado num silêncio tranquilo.
Alguns minutos depois, Antônio já havia fumado metade do cigarro, quando disse de repente: — Lembra que dia é hoje?
Ela pensou com cuidado; aquele não parecia ser um dia especial.

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