Ao desligar o telefone, Sabrina estava radiante. Cantarolando baixinho, trocou de roupa, pegou a bolsa e se preparou para ir à empresa.
Enquanto calçava os sapatos na entrada, lançou um olhar para o relógio na parede: já eram quase dez da manhã. Como já estava atrasada mesmo, pensou que seria melhor almoçar primeiro antes de ir.
Ela foi até a cozinha, dispensou Dona Mercedes, e decidiu preparar o almoço com as próprias mãos, fazendo questão de cozinhar uma porção extra.
O horário de almoço na empresa era ao meio-dia. Ela chegou exatamente às onze e cinquenta. Temendo ser vista pelos colegas, esperou na sala de descanso do mesmo andar até dar doze horas em ponto para entrar na área dos escritórios.
Os colegas já haviam saído para comer. Ela deixou a bolsa sobre a mesa, pegou a marmita, e bateu na porta do escritório de Antônio Jordão. Após ouvir um "entre", ela empurrou a porta e entrou.
Antônio levantou os olhos. Ao ver que era ela, voltou a abaixar a cabeça, focando nos papéis à sua frente:
— O que foi?
Ela abriu um sorriso radiante, aproximou-se, colocou a marmita sobre a mesa e retirou a tampa:
— Sr. Jordão, está na hora de comer. Trouxe almoço para você.
Diante de sua bajulação descarada, Antônio franziu levemente a testa, mas a expressão se desfez num piscar de olhos:
— Meu paladar é muito exigente.
Apesar de ser a segunda filha da Família Silva, nos anos em que viveu sozinha na Califórnia, havia aprimorado bastante suas habilidades culinárias. Por isso, sentia que a comida não devia estar nada mal.
— Pode experimentar primeiro. Se não gostar, pode pedir ao assistente Cael para encomendar algo.
Ao ouvir isso, Antônio largou os documentos, empurrou a cadeira executiva e se aproximou. Sentou-se à mesa e, notando que havia comida para duas pessoas, ergueu uma sobrancelha para ela:
— Você ainda não comeu?
Ela havia vindo às pressas, com medo de que, se atrasasse um minuto, ele fosse comer no refeitório, desperdiçando toda a sua dedicação. Assim, pegou tudo e saiu correndo antes mesmo de ter tempo de almoçar.
Antônio pegou o garfo:
— Sente-se e coma comigo.
Observando-o levar a comida à boca, Sabrina sentiu uma pontada de nervosismo. Sem piscar, ela o encarou, esperando que mastigasse e engolisse, para então perguntar com cautela:

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