Ela sentiu claramente uma aura gélida emanando do banco de trás, mas não teve coragem de se virar, e o seu coração disparou de medo.
Passados alguns minutos, ela espiou a expressão de Antônio pelo retrovisor. Ele estava com a testa franzida, o maxilar tenso e um olhar apático, tornando impossível decifrar os seus pensamentos.
Ela pigarreou e perguntou:
— Quer ir para o hotel?
Antônio deu uma risada fria:
— O quê? Quer pagar com o próprio corpo?
Ela agiu como se não tivesse ouvido o tom sarcástico e retrucou com naturalidade:
— Você não quer ir?
Antônio ignorou completamente a pergunta, permanecendo em silêncio.
De repente, ela deu uma guinada brusca no volante, fazendo os pneus cantarem contra o asfalto, o som ecoando nítido na noite silenciosa.
Tudo foi tão inesperado que Antônio foi pego desprevenido e o seu corpo tombou para o lado, obrigando-o a segurar na porta para se equilibrar. Com a voz pesada, indagou:
— O que você está fazendo?
Sem dizer uma palavra, ela encostou o carro próximo a uma área arborizada na beira da estrada. Imediatamente, desceu do veículo, abriu a porta de trás e entrou, sentando-se diretamente sobre o colo dele.
Diante do movimento repentino, o primeiro instinto de Antônio foi empurrá-la, mas ela já havia antecipado isso e apertou os braços em volta do pescoço dele.
Ele franziu as sobrancelhas e perguntou:
— O que você acha que está fazendo?
— Já que você falou em eu pagar com o meu corpo e não quer ir ao hotel, só nos resta fazer isso na beira da estrada.

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