Klébia Paixão encheu novamente a garrafa térmica com água.
Então—
Despejou tudo em cima de Otoniel Castro.
— Desculpe.
Klébia balançou o copo na mão, com o rosto lindo e sereno.
— Derrubei água em você sem querer de novo.
Desta vez, ela derramou muito.
O ombro esquerdo de Otoniel, para baixo, ficou completamente encharcado.
Hahahaha.
— ...
Otoniel tinha acabado de tirar o jaleco e ainda segurava os instrumentos, quando ouviu a garota falar atrás dele.
Ele virou a cabeça para olhar.
Minha nossa.
Da última vez foi suspeita, agora era certeza.
Ela fez de propósito.
Não.
Onde foi que ele a ofendeu?
— Tire a jaqueta.
Klébia balançou a garrafa térmica, erguendo o rosto delicado, com um tom assustadoramente calmo.
— Klébia... — Otoniel estava quase chorando, sentindo-se impotente. — O que eu fiz de errado?
— Nada.
Klébia piscou, respondendo com seriedade.
— ...
Otoniel ficou sem palavras, pousou silenciosamente os instrumentos e começou a desabotoar a jaqueta.
O ar-condicionado do laboratório estava ligado, a temperatura era baixa.
Otoniel usava três camadas.
O jaleco já tinha ido.
A jaqueta também foi.
Agora restava a camisa.
Para fazê-lo ficar sem camisa, seria preciso um pouco mais de esforço.
Teria que jogar água na cabeça desta vez?
Klébia girou os olhos, varrendo o laboratório rapidamente com o olhar.
Sem bacias, sem baldes.
Molhar desde a cabeça seria complicado.
Além disso—
Após os dois primeiros "acidentes", Otoniel estava extremamente cauteloso.
Ao fazer experimentos, ele ficava propositalmente de frente para Klébia.
Operava os equipamentos enquanto vigiava a pessoa à sua frente.
Klébia: — ...
Silêncio por alguns segundos.
A atenção de Klébia foi atraída pelos reagentes na prateleira.
— Não toque nisso!
A expressão de Otoniel mudou, ele tentou desviar, mas não conseguiu.
Viu o reagente cair em sua roupa.
Instantaneamente.
Um cheiro desagradável invadiu suas narinas, estimulando seus sentidos.
Essa garota.
Que loucura deu nela hoje?
Será que o assistente que estragou o cabelo dela a irritou?
Otoniel não teve tempo de perguntar.
Largou o experimento, prendeu a respiração e começou a tirar a roupa imediatamente.
— ...
Klébia tapou o nariz, com os olhos arregalados.
Seu olhar dizia: Tire, tire, tire!
— ?
Parecendo notar o olhar ardente vindo de perto e lembrando que ela era uma garota.
Otoniel franziu a testa e disse:
— Fique aqui, vou trocar de roupa.
— Troque aqui mesmo. — Klébia não estava para discussões e foi direta. — Eu quero ver seu corpo.
— O... O quê?
Otoniel duvidou de seus próprios ouvidos.

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