Não era à toa.
Que ele a tivesse encontrado no leilão e na porta do laboratório.
— No último encontro, você disse que eu parecia muito familiar?
Klébia fechou a garrafa térmica.
Levantou os cílios longos e densos, com um tom de voz gélido:
— E agora, ainda pareço familiar?
— ...
Otoniel ficou mudo, intimidado por aquela aura poderosa.
Será que ela entendeu errado, achando que ele queria paquerá-la?
Não era isso!
— Você...
Otoniel quis explicar.
Mas foi interrompido assim que abriu a boca.
— Como você me chama?
A garota era bem mais baixa que ele.
Ainda vestia o uniforme escolar, com o cabelo preso num coque despojado, mas sua presença era imponente.
— ...
Otoniel abriu a boca.
Por fim, cuspiu algumas palavras devagar:
— Professora.
— Mais alto.
Klébia disse com ferocidade.
O moleque ousava desrespeitar a superior?
Dessa vez nem precisaria de Oziel, ela mesma arrancaria a pele dele!
— Professora.
Otoniel, um homem de quase trinta anos.
Naquele momento, sendo repreendido por Klébia, baixou a cabeça, lamentável como um gato.
— Venha cá.
Klébia sentiu-se aliviada.
Chamou Otoniel para a bancada de experimentos, com um tom severo:
— Deixe-me ver sua competência. Se não for suficiente, eu recusarei ao Velho Careca.
— Certo.
Otoniel franziu a testa e se aproximou obedientemente.
Estranho.
Ele nunca tinha sido tratado assim, deveria ter ficado com raiva.
Mas inexplicavelmente...
Ao vê-la brava, Otoniel sentiu-se estranhamente confortável.
Ele não só gostava de vê-la, como gostava de ouvi-la falar.
Que tipo de doença era essa?
Será que...
Era como o assistente dizia, ele teve amor à primeira vista pela "professora"?
— Se olhar de novo, acredita que arranco seus olhos e piso neles como se fossem estalinhos?
Otoniel: — ...
O que significava:
Não se intrometa, não pergunte o que não deve.
Otoniel sorriu impotente.
Essa sua professora tinha bastante personalidade.
— Quando começa a eleição para membro da Aliança Médica?
Klébia jogou as luvas no lixo.
Pegou o copo de água na mesa e perguntou com tom frio.
— Daqui a vinte e cinco dias.
Isso não seria meados de junho?
Exatamente quando ela terminaria as provas.
— Certo. — Klébia terminou de se desinfetar e olhou para Otoniel. — De agora em diante, venha ao laboratório às terças e sábados.
— Tudo bem.
Otoniel concordou obedientemente.
Em apenas duas horas, ele percebeu a competência dela.
Tão jovem, com habilidades médicas incríveis, até superiores às dele.
Nesta vida, na área médica, ele só admirava três pessoas.
Dra. Noite, o professor... e agora mais uma pessoa.
Sua pequena professora.
—
Continua.

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