Amanda Teixeira sentiu a resistência dentro de si crescer ainda mais forte sob o olhar intenso daquele homem.
Ela conteve com esforço o impulso de bater a porta na cara dele, tentando “convencê-lo” a ir embora:
— Aqui você não é bem-vindo. Por favor, pare de tocar a campainha à toa e não incomode meus vizinhos. Não quero passar vergonha junto com você.
— Vizinhos? — O homem arqueou levemente a sobrancelha. — Está falando de mim?
Amanda Teixeira ficou confusa.
O que ele queria dizer com “está falando de mim”?
Ele era vizinho dela?!
Vale lembrar que naquele prédio, só havia dois apartamentos por andar!
O choque foi tão grande que Amanda Teixeira ficou paralisada, sem saber como reagir.
Davi Freitas, percebendo o momento de distração, empurrou suavemente a mulher para o lado e “entrou” no apartamento.
O toque dele a fez recobrar os sentidos rapidamente, mas já era tarde demais.
Além disso, o lugar que ele havia tocado parecia agora lhe causar um profundo nojo!
— Não fique parada na porta tomando vento. Seu cabelo ainda está molhado, vai acabar pegando um resfriado.
As palavras do homem vieram num tom indiferente, quase leve.
Amanda Teixeira continuou imóvel, ainda parada junto à porta, olhando para ele com desconfiança.
O homem já estava na sala, sentando-se confortavelmente, como se estivesse em casa.
Não era a primeira vez que estavam sozinhos. Por que ela estava fazendo esse drama?
Afinal, pouco mais de um mês atrás, era ela mesma quem fazia questão de aparecer na frente dele, quase sem roupa, tentando seduzi-lo.
Aquela camisola sensual, de tecido leve e fino, realçava cada curva de seu corpo...
O olhar do homem escureceu por um instante.
Ele nunca fora de se deixar levar por mulheres, mas não significava que não tivesse reações normais de um homem.
Por isso, naquela noite, ele foi embora às pressas do Costa Bela Residencial, preferindo manter distância.
Amanda Teixeira não fazia ideia do que se passava na cabeça dele. Só sabia de uma coisa: o lobo estava ali, ela precisava dar um jeito de expulsá-lo.
Finalmente, ela se mexeu, mas não fechou a porta; parou a dois, três metros de distância do homem.
— O que é isso? — Amanda Teixeira olhou para os pacotes deixados por ele sobre a mesa de centro, franzindo a testa.
— Suplementos. — Ele respondeu de forma sucinta.
Amanda Teixeira ficou sem palavras.
— Por que está me dando isso?
A pressão de Amanda Teixeira subiu no mesmo instante; ela apertou os punhos com força, lutando contra a onda de náusea.
Ela se lembrou da recomendação do médico. Aquilo era o tal “tratamento de exposição”?
Mas era horrível demais!
Davi Freitas então percebeu que havia algo errado com ela. Viu seu rosto mudar do branco para o vermelho, depois para o branco novamente, e seus lábios e corpo começaram a tremer levemente.
— Será que você se agitou demais? — O homem levantou-se depressa, indo em direção a ela.
— Não chegue perto! — Amanda Teixeira, apavorada, sentiu os pelos do corpo se eriçarem.
— Você está pálida, pare com isso. Eu vou te levar ao hospital. — Davi Freitas, sem dar ouvidos, atravessou a sala em dois passos largos, aproximando-se ainda mais.
Instintivamente, Amanda Teixeira recuou. Mas quanto mais ela recuava, mais ele avançava.
Naquele momento, Amanda Teixeira se lembrou do terror que sentira ao ser perseguida pelos três estrangeiros contratados por ele. Seu coração disparou, a respiração ficou difícil, e ela sentiu que estava sufocando.
O pânico a deixou tonta, e suas pernas fraquejaram; estava prestes a desmaiar.
O homem reagiu rápido, num salto, segurando-a antes que caísse.
Mas, no instante em que ele tocou seu corpo, Amanda Teixeira sentiu o mundo girar, tudo escureceu diante dos olhos, e a náusea veio como uma avalanche. Não conseguiu segurar, e vomitou em cima dele.
Davi Freitas ficou paralisado, transformando-se de uma pedra de gelo a uma estátua.
E, para piorar, depois de vomitar nele, Amanda Teixeira ainda desmaiou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Recompensa do Desprezo — Renascida para Vencer