Amanda Teixeira decidiu agir imediatamente. Primeiro, ligou para o pai para avisar que sairia em uma viagem de pesquisa durante um mês, podendo ficar sem contato nesse período, mas que ele não precisava se preocupar, pois voltaria em trinta dias.
Depois, telefonou para Cesar Andrade para remarcar o jantar que haviam combinado.
Naturalmente, ela programou o Instagram para enviar postagens automáticas, acessíveis apenas ao pai, a Cesar Andrade e à melhor amiga que ainda estava viajando a trabalho.
Resolvidas todas essas pendências, Amanda Teixeira pegou a meia caixa de uvas roxas e retornou ao centro de pesquisa.
Durante todo aquele mês, Amanda Teixeira não voltaria para casa nos fins de semana, o que fez de Luan Matos o mais satisfeito de todos.
No entardecer desse dia, no prédio dos dormitórios do centro de pesquisa:
— Eu sabia! Com o andamento ótimo que estamos tendo, você ainda consegue se segurar e tirar folga? Sorte sua que percebeu a hora de voltar atrás, senão eu ia começar a desconfiar que você era uma espiã estrangeira tentando atrasar nosso progresso de propósito.
Luan Matos falava enquanto mastigava as uvas trazidas por Amanda Teixeira, mas nem assim conseguia parar de comentar e provocar.
Amanda Teixeira sabia que ele só tinha a língua afiada e que sabia se comportar, só sendo assim quando estavam apenas os dois. Mas ser chamada de espiã era algo que ela não deixaria passar.
— Se eu fosse espiã, o primeiro a ser pego seria você — respondeu Amanda Teixeira, com a expressão séria de propósito.
Luan Matos engoliu a polpa doce da uva e piscou, curioso:
— Por quê?
Amanda Teixeira lhe sorriu com ar angelical:
— Porque você não consegue guardar segredo. Se eu dissesse seu nome, já ganharia uma medalha. Se não te pegassem, iam pegar quem então?
Luan Matos colocou outra uva na boca e, ao ouvir isso, quase se engasgou.
— Será que custa muito me dar um desconto? — resmungou ele, com as bochechas cheias de uva, a voz e o olhar cheios de falsa mágoa.
Por isso, logo perdoou as palavras descuidadas de Luan Matos.
No mês seguinte, Amanda Teixeira e os outros pesquisadores mergulharam de cabeça no trabalho. Faziam testes, resolviam problemas, revisavam cada resultado, todos como se estivessem cheios de energia, e o progresso do projeto era impressionante.
No início, vendo Amanda Teixeira, a líder do grupo, abrir mão dos fins de semana, os outros integrantes seguiram o exemplo e passaram a também trabalhar direto no centro de pesquisa, sem folgas, acelerando ainda mais o desenvolvimento.
Com esse ritmo, talvez em menos de meio ano o drone aéreo invisível estivesse pronto para ser lançado.
Num piscar de olhos, o mês passou e o calendário já marcava o início de fevereiro.
Era uma sexta-feira. Na hora do almoço, Luan Matos foi novamente ao quarto de Amanda Teixeira.
— Mês que vem vai ser igual? — perguntou ele, sem esquecer que Amanda Teixeira tinha dito “esse mês não volto para casa”, e não que ficaria assim até o drone ser finalizado.

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