Amanda Teixeira lançou um olhar de advertência para ele e disse:
— Meu pai precisa descansar agora.
Davi Freitas, no entanto, manteve-se firme:
— Assim que eu terminar de perguntar, vou embora.
Como o assunto envolvia a segurança de Amanda Teixeira, mesmo sabendo que não era bem-vindo ali, ele não poderia simplesmente ir embora de mãos abanando.
Amanda Teixeira ficou tão irritada que quase perdeu a paciência e pensou em expulsá-lo dali à força.
José Teixeira havia passado mais de dez horas desacordado e, embora estivesse ainda meio fraco, a memória permanecia intacta.
Ele também compreendia que, enquanto Davi Freitas não obtivesse uma resposta, não se retiraria. Por isso, resolveu falar:
— Só me recordo de estar no estacionamento do meu prédio, logo na curva, quando, de repente, alguém surgiu correndo e se jogou na frente do meu carro. Após a queda dele, desci para ver o que havia acontecido. O rapaz disse que estava com a perna machucada e pediu para eu levá-lo ao hospital. Ajudei-o a entrar no carro. Depois disso, minha memória fica vaga.
— Mas havia uma câmera no meu carro. Assim que pudermos, é só conferir as imagens para entender o que aconteceu. — José Teixeira olhou para Davi Freitas e complementou.
Amanda Teixeira desviou o olhar, seus olhos se tornaram sombrios; ela também se virou para Davi Freitas e, num tom sarcástico, disse:
— Imagino que o senhor Freitas já tenha mandado alguém verificar o carro do meu pai ontem à noite, não é? O sistema de gravação não desapareceu por acaso? — Seu olhar parecia dizer: Agora pode ir embora tranquilo, não acha?
As palavras e o olhar de Amanda Teixeira atingiram Davi Freitas profundamente, ferindo-o pela falta de confiança.
Ainda assim, diante de José Teixeira, ele preferiu não prolongar o assunto e evitar mais desgastes com Amanda Teixeira.
Agora, ela não apenas desconfiava dele, como também o via como um inimigo.
Ele realmente não compreendia o motivo de tal postura, mas sabia que, se quisesse continuar investigando, teria que agir sozinho.
— Sumiu? — José Teixeira estava confuso, afinal, mal havia acordado e ainda não sabia o que tinha acontecido.
Davi Freitas assentiu:
— Sim, sumiu. Provavelmente foi aquele rapaz de máscara que levou.
José Teixeira franziu o cenho:
— Exato, ele usava máscara, mas dava para perceber que era bem jovem, devia ter pouco mais de vinte anos.
— Pai, quer um pouco d’água? — Amanda Teixeira perguntou com carinho, aproveitando para encerrar a conversa.
Antes, a filha já havia lhe aconselhado, de forma sutil, a manter distância das alunas. Mais tarde ele mesmo percebeu que, como viúvo solteiro, precisava evitar qualquer tipo de mal-entendido. Por isso, mesmo quando os alunos demonstravam sede de conhecimento fora do horário de aula, ele pedia que todos permanecessem em seus lugares enquanto ele continuava respondendo dúvidas do quadro, só deixando o púlpito depois que o último aluno saía da sala.
No convívio, nunca ficava sozinho com alunas, nem mesmo na sala dos professores.
Mesmo tendo tomado todas essas precauções, ainda assim estava sendo acusado injustamente?
José Teixeira não conseguia entender o motivo.
Amanda Teixeira explicou:
— O argumento de Larissa Otero é que, por ela se parecer com a mamãe, você teria tido más intenções.
— Que absurdo! — José Teixeira explodiu de raiva.
Uma pessoa de caráter tão duvidoso, comparar-se à Mirela?
Uma onda de repulsa tomou conta de José Teixeira.
Felizmente, a cuidadora havia acabado de trazer limões frescos, o que serviu como um alívio naquele momento.

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