— Desculpe, mas realmente não posso te ajudar. — Amanda Teixeira disse sem rodeios, fechando a porta de imediato.
A mulher ficou do lado de fora, o rosto fechado como uma panela de ferro.
Essa mulher era ninguém menos que Ayla Carvalho, mãe de Erick Lino.
— Senhora, talvez devêssemos tentar outro caminho? — sugeriu um dos seguranças atrás de Ayla Carvalho.
Ayla suspirou, abatida:
— E que outro caminho poderia haver?
Nem mesmo seu irmão, que era chefe de uma delegacia de polícia, havia conseguido resolver. Ela, uma socialite acostumada ao luxo e aos privilégios, poderia fazer o quê?
Não, ela precisava de todo jeito que Amanda Teixeira aceitasse ajudar, que ela convencesse Davi Freitas a reconsiderar sua decisão. Caso contrário, o Grupo Lino estaria acabado, e junto com ele, seu próprio status e o do filho dentro da família Lino estariam por um fio.
— Coloquem os presentes na porta. — ordenou Ayla com o rosto impassível.
— Sim, senhora.
Os dois seguranças obedeceram e empilharam os presentes na entrada do apartamento de Amanda Teixeira.
— Vamos.
Ayla, visivelmente irritada, caminhou em direção ao elevador.
Os dois seguranças a acompanharam apressados.
Amanda Teixeira, depois de fechar a porta, voltou para a sala e continuou organizando as compras do dia. Separou tudo direitinho, preparou um almoço delicioso para si mesma e, depois de comer, enviou uma mensagem para Juliana Diniz, perguntando sobre as novidades.
Alguns minutos depois, Juliana respondeu de forma sucinta: [Já estou cuidando da alta do hospital, te ligo à noite.]
Pelo visto, as coisas estavam indo bem.
Amanda largou o celular, levantou-se e foi para o escritório.
Passou a tarde toda escrevendo, só parando no fim do dia para preparar o jantar.
Por volta das sete, já tinha jantado, mas Juliana Diniz ainda não havia ligado.
Amanda sorriu, depois levantou-se para descer e jogar o lixo orgânico fora.
Heitor Lacerda, Calel Guerrero e até Dra. Patrícia também sabiam.
As coisas estavam mudando silenciosamente, e Amanda sabia que precisava estar pronta para se adaptar a qualquer situação.
*
Davi Freitas passou a tarde inteira em reuniões, sem tempo para checar o celular.
Quando finalmente terminou o trabalho e voltou ao escritório, abriu o aparelho e viu diversas notificações do sistema de câmeras do Maré Serena Residencial.
Havia vários alertas, sinal de que Amanda Teixeira saíra algumas vezes naquele dia.
Ele tomou um gole d’água, curioso, e abriu as gravações dos momentos-chave.
Ao ver Amanda carregando sozinha uma sacola enorme e pesada para dentro de casa, sua expressão, geralmente impassível, alternou entre preocupação e alívio.
Teve vontade de entrar no vídeo e ajudá-la, e não pôde evitar lembrar dos três anos anteriores, dos jantares que Amanda preparava para ele. Será que, naquela época, ela também fazia compras tão dedicadas como agora?
Enquanto assistia à Amanda, tão atarefada e determinada, Davi Freitas sentiu uma mistura de emoções difíceis de descrever.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Recompensa do Desprezo — Renascida para Vencer