Juliana Diniz sorriu amargamente.
— Eu? Lúcida? Se fosse num lugar mais... reservado, talvez eu não tivesse conseguido agir melhor do que você.
Amanda Teixeira percebeu que Juliana dizia aquilo apenas para consolá-la.
No fundo, era ela quem queria reconfortar a amiga, mas acabou sendo Jéssica quem precisou confortá-la.
Amanda suspirou suavemente antes de perguntar:
— Onde está o kit de primeiros socorros?
Embora Juliana já tivesse lhe contado por telefone que nada havia acontecido de fato entre ela e Leonardo Rodrigues, Amanda, por experiência própria, sabia o quanto um homem sob o efeito daquele tipo de substância podia ser bruto e insistente.
Mesmo quando ela mesma havia, em algum momento, cedido, seu corpo depois ficava marcado, dolorido.
Ainda mais no caso de Jéssica, que havia resistido — Amanda nem queria imaginar como ela estava fisicamente.
Juliana, entendendo o que passava pela cabeça da amiga, apontou para o compartimento mais alto do armário na sala:
— Está ali em cima.
Após o banho, Juliana vestira um pijama de manga comprida e calça, e ainda se enrolara numa manta fina, tudo para esconder a pele que pudesse estar exposta.
Amanda levantou-se para buscar o kit, pronta para cuidar dos ferimentos da amiga.
Juliana olhou para Amanda, hesitou por um momento, mas acabou perguntando:
— Você... tem certeza que não vai te trazer más lembranças me ajudar com isso?
Ela agora compreendia, de modo profundo, que mesmo quando o agressor era alguém por quem se tinha sentimentos, sempre restava algum tipo de trauma. Quanto mais, no caso de Amanda, que ainda tinha tanta resistência em relação a Davi Freitas.
Juliana temia que as marcas de hematomas e chupões em seu corpo pudessem perturbar Amanda.
Amanda abriu o kit, tirou o que precisava: algodão, pomada para hematomas, e sorriu levemente para Juliana:
— Seria mentira dizer que não me lembra de nada. Mas não a ponto de eu perder o sono por causa disso.
No ápice do desejo e confusão, Leonardo Rodrigues havia chamado seu nome, com a voz rouca e urgente.
— Amanda, me diz... Numa situação dessas, você acha que um homem ainda consegue distinguir quem está nos braços dele?
A curiosidade era real, mas havia algo mais: um incômodo profundo.
Juliana não suportava a ideia de ter sido confundida com outra, de Leonardo tê-la tomado como se fosse seu grande amor de verdade. Quando percebeu isso, lutou com todas as forças para se afastar.
No início, enquanto não resistia, Leonardo ainda era gentil em seus gestos.
Mas, depois, ela escutou claramente Leonardo chamando seu nome — não o de Pérola Ribeiro, nem de nenhuma ex — mas seu apelido carinhoso: Juju.
Juju era um nome que somente seus pais usavam, e Leonardo sabia disso.
O que isso significava, afinal?
Juliana não conseguia evitar conjecturas, mas também não se atrevia a ir muito longe em seus pensamentos.

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