Do outro lado, Leonardo Rodrigues deixou escapar uma voz entrecortada e cheia de dor contida:
— Eu... eu agora... está difícil demais...
Logo em seguida, veio um gemido abafado e angustiante.
Juliana Diniz ficou visivelmente preocupada:
— Onde você está? E o seu médico da família? Já pediu pra ele ir até aí?
— To... dos...
Clube Eclipse?!
Juliana Diniz se sobressaltou. Não era exatamente onde ela estava agora?
— Eu também estou no Clube Eclipse. Em qual sala você está? — perguntou ela, apressada.
Com dificuldade, Leonardo Rodrigues revelou o número da suíte.
— Espere por mim, estou indo agora!
Juliana Diniz guardou o celular, virou-se rapidamente e esbarrou em Maia, que se aproximava com um coquetel nas mãos. Juliana a puxou de lado e falou baixo:
— Maia, acabei de receber uma ligação urgente, preciso sair imediatamente. Por favor, avise o pessoal depois.
Disse tudo de uma vez, sem esperar a reação de Maia, caminhou até o sofá, pegou a bolsa e saiu discretamente da sala.
Leonardo Rodrigues disse que estava na suíte 8806, no oitavo andar. Ela estava no sexto.
Juliana Diniz foi depressa até o elevador.
A essa hora, o Clube Eclipse estava cheio de gente se divertindo e bebendo, mas felizmente o oitavo andar era reservado ao consumo de alto padrão. Empresários e executivos preferiam aquele ambiente para tratar de negócios. Apesar do luxo, o andar era silencioso, com isolamento acústico impecável.
Logo o elevador chegou, vazio.
Ela seguiu o número da sala indicado por Leonardo Rodrigues.
Preocupada com a possibilidade, Juliana Diniz pegou o celular, pensando em ligar para o serviço de emergência.
— Uhum... está tão ruim... — Leonardo Rodrigues continuava de olhos fechados, o rosto tenso numa expressão de dor, gemendo baixinho. Logo depois, ouviu-se o barulho do tecido rasgando.
Juliana Diniz se assustou, olhou para baixo e viu que a camisa florida, que já estava por um fio, agora estava completamente rasgada pela força que ele mesmo aplicara.
Rapidamente desviou o olhar, repetindo para si mesma que não devia olhar, e falou ao homem sem sentidos:
— Aguente só mais um pouco, vou ligar para o resgate agora!
De repente, Juliana Diniz percebeu que Leonardo Rodrigues talvez não estivesse bêbado, nem mesmo intoxicado pelo álcool. Havia a possibilidade de ele ter ingerido algo adulterado.
Mas não tinha certeza, já que na suíte só havia Leonardo Rodrigues, ninguém mais além dela.
Quem seria tão tolo a ponto de drogar alguém e fugir antes de conseguir o que queria?
Mas, seja por intoxicação alcoólica ou por alguma substância estranha, pedir ajuda médica era sempre o mais seguro.

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