—Deixa pra lá! — Juliana Diniz também fez pouco caso, dando de ombros antes de se sentar no banco redondo em frente à mesa de madeira. Apoiada no queixo, olhou para Amanda Teixeira com um sorriso bobo: — Afinal, agora você já é uma pequena milionária, não é? Vamos comemorar de verdade?
—Como você quer comemorar? — Amanda Teixeira não se opôs e, dizendo isso, também se acomodou no banco ao lado de Juliana Diniz.
Juliana Diniz pensou com seriedade: — Comemorar? No fim das contas, é comer, beber e se divertir. Mas você nem gosta de viajar para fora, e sinto que, nos últimos anos, você já percorreu quase todo o nosso Brasilzão em busca de inspiração, não foi?
—Uhum. — Amanda confirmou com um aceno, mas, na verdade, dava para contar nos dedos as vezes que visitou lugares turísticos de verdade; a maioria das viagens tinha sido virtual mesmo.
Viajar para o exterior, não era bem que ela não quisesse. É que ela não podia.
Juliana Diniz continuou, contando nos dedos: — Agora, sobre comida, você cozinha melhor que muito chefe famoso, e a gente já frequenta muitos lugares bacanas.
—E bebida? Você não curte álcool, senão a gente podia ir num bar e relaxar um pouco.
Neste ponto, Juliana já começava a se atrapalhar, sem saber mais o que sugerir.
Vendo a amiga tão perdida nos próprios pensamentos, Amanda lembrou de uma carta de amor que mostrara para ela mesma certa vez e então sorriu: — Que tal a gente tirar um dia para fazer compras? O que a gente gostar, leva! Sem se importar com marca, nem preço, só fechar os olhos e comprar o que der na telha!
Juliana piscou, estranhando: aquela frase soava familiar demais.
Claro, era igual aquela promessa exagerada que um colega riquinho do colégio lhe fez numa carta de amor: se ela aceitasse namorá-lo, poderia comprar o que quisesse, sem se importar com marca ou preço, só fechar os olhos e levar!
Mas, na época, Juliana já gostava de Leonardo Rodrigues, então nem uma proposta tentadora dessas mexeu com ela.
Quando viu a expressão de Amanda, com aquele brilho travesso no olhar de jabuticaba, Juliana finalmente entendeu.
—Ah, então você quer ser meu “namorado”? — Juliana riu, apertando de leve as bochechas de Amanda.
Fazia tempo que queria arrastar Amanda para um dia de compras, mas ela tinha estado tão reclusa escrevendo nos últimos meses... Agora que estava livre, Juliana não ia perder essa chance.
Além do mais, o aniversário de Amanda era ainda antes do seu, dali a pouco mais de duas semanas. Ótimo. No dia das compras, ela também ia escolher um presente especial para Amanda.
—Ah, Amanda, sobre o caminho de antes... Achei que o Policial Calel e aquele bonitinho de sobrenome Lacerda estavam bem de olho em você, viu? Mas o médico gato... Ele nem puxou assunto com você. O que aconteceu? Não era ele quem estava te paquerando?
Agora, só as duas ali, Juliana aproveitou para confidenciar uns segredinhos à melhor amiga.
Amanda já sabia que Juliana ia querer fofocar sobre isso.
Ela só podia responder por cima, explicando de leve aquela situação meio complicada.

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