Amanda Teixeira não quis continuar naquele assunto e, de propósito, desviou a conversa. Ela levantou o olhar para o vestido de festa sobre o sofá da sala e perguntou calmamente:
— Esse vestido foi o Sr. Leonardo que escolheu para a Jéssica?
Leonardo Rodrigues acompanhou o olhar dela, sorrindo:
— Sim, eu demorei bastante para escolher. O tamanho deve estar certo.
Amanda manteve a expressão serena e o tom inalterado:
— Mas a Jéssica não gosta de roupas tão discretas assim.
Juliana Diniz logo completou:
— É, ela realmente não gosta.
Sem nem fingir cortesia para o senhorito.
O rosto de Leonardo demonstrou um leve desapontamento:
— Mas como é que ela vai saber se não experimentar?
— Vai que, quando vestir, o efeito fica ótimo? — insistiu ele, com aquela teimosia de sempre.
Ele sabia muito bem que Juliana Diniz preferia roupas de cores vivas e chamativas, mas, ainda assim, achava que ela ficaria linda num vestido de tom suave.
Ele queria ver.
— Não vou ter tempo pra esse tal baile, nem precisa experimentar. — Juliana respondeu direto, sem rodeios.
Leonardo franziu o cenho, perguntando:
— Você vai ficar com ela hoje?
E então lançou um olhar magoado para Amanda Teixeira, do outro lado.
Juliana assentiu, num gesto de quem não podia fazer nada:
— Claro, prioridade é prioridade, né? A Amanda me chamou com bastante antecedência.
Os olhos amendoados de Leonardo se estreitaram, e ele sorriu:
— Ora, é simples, vocês duas podem ir juntas, ué.
— E, olha, a maioria das pessoas importantes de Cidade Capital vai estar nesse baile beneficente. Vocês não querem conhecer um pouco desse meio?
— Não queremos. — Juliana respondeu, já falando por Amanda também. — A Amanda não tem o menor interesse.
Será que era no sentido que ela estava pensando?
Mas afinal, quem era o romance? E quem era o amigo?
Amanda franziu a testa e largou os talheres:
— Será que ele entendeu errado sobre você?
Os olhos de Juliana se arregalaram, passando de confusos a incrédulos:
— Da onde ele tirou essa ideia de que eu sou lésbica? Eu pareço?
Amanda, atenta, insistiu no ponto principal:
— E se ele realmente tiver entendido errado, você vai explicar pra ele?
Juliana se irritou, bateu os talheres na mesa, cruzou os braços e resmungou:
— Explicar o quê? Ele que pense o que quiser, não me importa.
Primeiro, a pessoa de quem ela gostava a via como um irmão querido; agora, ainda era taxada de lésbica por ele.
Isso, ela definitivamente não conseguia engolir.

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