— Amanda, uns dias atrás eu prometi ao Leonardo Rodrigues que o ajudaria a conquistar o grande amor dele, mas agora me arrependi — confessou Juliana Diniz, com um olhar de incômodo.
O tal grande amor de Leonardo Rodrigues era a irmã de Nathalia Ribeiro. Nathalia, por sua vez, era justamente a pessoa com quem Davi Freitas tinha traído sua parceira. Juliana não queria mais se envolver com isso.
— Quem é essa garota? — perguntou Amanda Teixeira, intrigada.
Juliana Diniz pegou um pedaço de bolo e, antes de responder, deixou que o doce aquecesse seu estômago.
— É a segunda filha da família Ribeiro, a Pérola Ribeiro.
Amanda entendeu tudo no mesmo instante.
Era por causa dela mesma.
Amanda perguntou de novo:
— E se você desistir, qual vai ser a consequência? Ele vai romper a amizade com você?
Amanda sabia muito bem dos sentimentos de Juliana por Leonardo Rodrigues, mas Juliana nunca havia se declarado. Amanda já havia perguntado o motivo.
Juliana sempre respondia que não era o tipo de mulher que Leonardo gostava, então não valia a pena correr atrás de algo impossível. Nem mesmo tentava.
Era aí que Amanda e Juliana se diferenciavam.
Amanda já tinha experimentado por si própria o que era se jogar num abismo por alguém, como uma mariposa indo ao encontro do fogo. O final tinha sido trágico, sem nenhum milagre.
Juliana deu de ombros, sem se importar:
— Se ele quiser romper, melhor ainda. Assim, não fica mais desfilando na minha frente o tempo todo.
Amanda percebeu que Juliana queria enterrar de vez aquela paixão secreta, então não insistiu. Apenas brincou:
— Então, pelo visto, não vou mais poder aproveitar os mimos do Sr. Leonardo, né?
Agora, Juliana não pediria mais nada para ele.
As duas sentaram-se à mesa comprida, dividindo o restante do bolo. Só depois das dez da manhã voltaram para dentro do museu para visitar a exposição.
As obras em exibição eram todas voltadas para projetos sociais: toda a renda seria revertida para melhorar as condições de vida de crianças em comunidades isoladas do interior.
Amanda se apaixonou por duas pinturas em aquarela e as comprou sem hesitar. Gastou meio milhão no total.
Juliana vinha de uma família de classe média e, com o salário que ganhava no momento, conseguia se dar alguns luxos. Gastou alguns milhares numa tela vibrante de peônias.
Juliana sempre foi atraente, com uma beleza marcante, e gostava de flores de cores vivas. Nunca se vestia para agradar os outros ou fingir inocência, nem mesmo diante do homem que gostava. Sempre seguia o próprio gosto.
No fundo, ela acreditava que, se alguém se apaixonasse por uma versão dela criada apenas para agradar, e não pela mulher real, era como admirar um reflexo na água — algo bonito, mas sem substância ou sentido.
Amanda estava de carro e o veículo dela era bem mais espaçoso que o de Juliana. Assim, depois de embalarem as três pinturas, colocaram todas no carro de Amanda. Mais tarde, ela passaria para entregar as obras e, de quebra, aproveitaria para visitar o apartamento aconchegante de Juliana.

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