Base de Pesquisa nos arredores da cidade
Naquela tarde, Amanda Teixeira, junto com outros pesquisadores, jantou no refeitório dos funcionários antes de retornar ao dormitório para descansar.
Ainda era cedo; normalmente, ela aproveitava esse período para desenhar rascunhos de design.
Amanda desenhava de tudo. Como se costuma dizer, “quem aprende, alcança”; ela era curiosa, e rapidamente pegava o jeito das coisas.
Desenhava o que lhe vinha à mente. Às vezes, criava personagens de seus próprios romances, desenvolvia roupas, estilos e até cenários — fossem eles de um mundo pós-apocalíptico ou de um futuro distante.
Em outras ocasiões, dedicava-se ao design de joias.
No primeiro ano de casada, o presente de aniversário que deu a Davi Freitas foi um broche desenhado por ela mesma.
Como Davi era do signo de tigre, Amanda fez questão de incorporar elementos de tigre ao design.
No aniversário do ano seguinte, o presente também foi criado por ela. O mesmo se repetiria no aniversário deste ano. No entanto, o presente ainda estava inacabado, um projeto pela metade.
Hoje… era justamente o aniversário dele.
Amanda Teixeira, no entanto, não se deteve muito nesse pensamento. O que ocupava sua mente era que naquele dia Juliana Diniz retornaria de uma viagem internacional. Infelizmente, Amanda estava na base e não poderia ir ao aeroporto recebê-la.
Mal tinha tirado o caderno de desenho e feito alguns traços, quando alguém bateu à porta do dormitório.
— Amanda, sou eu.
Do lado de fora, ouviu-se a voz da Dra. Patrícia Godoy.
Amanda imediatamente deixou o caderno de lado e foi abrir a porta.
— Dra. Patrícia, o que a senhora faz aqui? — perguntou Amanda, surpresa.
— Vamos entrar, conversamos lá dentro — respondeu Patrícia em tom baixo, com um olhar afetuoso.
O olhar carinhoso da Dra. Patrícia deixou Amanda ainda mais intrigada.
Depois de entrarem, Amanda serviu um copo d’água para a Dra. Patrícia.
— Amanda, sente-se aqui ao meu lado — pediu Patrícia, indicando o lugar ao seu lado no sofá.
Amanda obedeceu e sentou-se.
O celular da Dra. Patrícia também estava sem sinal — não dava para ligar, mandar mensagens ou acessar a internet.
Mas o que ela queria mostrar para Amanda não dependia de conexão.
Manipulando o celular por um instante, Patrícia o entregou para Amanda.
Amanda pegou o aparelho e começou a examinar cuidadosamente o conteúdo exibido na tela.
Quanto mais lia, mais seu semblante se fechava.
Percebendo o rosto de Amanda um pouco pálido, Patrícia falou em tom suave:
— O vídeo feito às escondidas com você no hospital foi divulgado na internet na noite de domingo e rapidamente viralizou, gerando um debate enorme. Ontem à noite, por volta das sete, surgiu uma nova onda, desta vez com calúnias mencionando seu nome diretamente. Mas pode ficar tranquila: desde que o vídeo apareceu, os responsáveis já estão monitorando de perto tudo que circula na internet sobre você. Por isso, essa última onda de boatos foi logo abafada, não ganhou força nem ampliou o impacto.
Amanda ouviu em silêncio, apertando os lábios, sentindo o sangue ferver.
Ela não sabia quem havia gravado o vídeo no hospital, mas tinha certeza de quem estava por trás das calúnias da noite anterior.
Israel Rocha. Só podia ser ele!

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