Davi Freitas mal tinha se sentado e tomado um gole d’água quando o celular voltou a tocar.
Desta vez era seu assistente.
Davi deslizou os dedos longos pela tela, levou o aparelho ao ouvido e respondeu com a voz tranquila:
— O que foi?
Sérgio Dourado falou:
— Diretor Davi, tem muita gente na internet comentando sobre o senhor e a senhorita Teixeira, aquele vídeo... Os posts não param de surgir, a cada vez que conseguimos remover um, outro já está nos tópicos mais comentados.
Ainda bem que Sérgio corrigiu a tempo o jeito de se referir à situação, mas a apreensão permaneceu — tinha receio de ser repreendido por Davi.
No entanto, Davi Freitas não demonstrou qualquer reação ao deslize do assistente e, com indiferença, disse:
— Deixe assim por enquanto. Daqui a pouco, essa história perde a graça sozinha.
Do outro lado da linha, Sérgio ficou atônito, achando que tinha ouvido errado. Com cautela, confirmou:
— O senhor quer dizer que vai deixar os assuntos e as postagens rolarem, sem intervir mais?
— Sim. — Davi respondeu com firmeza, ainda que de forma suave.
Desta vez Sérgio não teve mais dúvidas e rapidamente disse:
— Está bem, Diretor Davi. Não vou incomodá-lo mais, boa noite.
Após desligar, Davi segurou o copo d’água, recostou-se no sofá e sentiu-se completamente em paz.
Ele havia imaginado que detestaria que soubessem da relação entre ele e Amanda Teixeira, mas agora percebia que não era tão difícil de aceitar quanto pensara.
Seria isso o famoso “deixa a vida me levar”?
Ou talvez “aceitar o que não se pode evitar”?
Davi Freitas se pegou curioso, querendo saber como Amanda Teixeira, aquela mulher teimosa, estaria se sentindo.
Feliz? Ou talvez...
Surpreendeu-se com a própria curiosidade diante de um assunto tão trivial e franziu a testa, desconfortável.
Então, resolveu pegar um livro da estante.
Era o primeiro romance de Estrela, a autora que chamara sua atenção para a ficção científica.
Ele havia mentido para Israel Rocha: não foi por causa de Helena Freitas, que queria atuar e pediu ajuda para encontrar um bom roteiro, que ele começou a acompanhar Estrela.
Na verdade, desde o lançamento do primeiro livro dela, cinco anos atrás, Davi já a observava.
Por isso, desde então, sempre que Estrela lançava um novo romance, Davi era o primeiro a comprar os direitos para adaptação.
Agora, faltava apenas os direitos da obra mais recente de Estrela, “Ecos do Amanhã”.
No início do mês passado, já tinha enviado alguém para negociar, mas até agora não conseguira fechar acordo.
Outras empresas também tentaram e receberam recusa.
Quem sabe Estrela tivesse planos próprios para o destino daquela história?
Davi lançou um olhar ao celular carregando e, mais uma vez, lamentou: aqueles cinco minutos estavam demorando demais.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Recompensa do Desprezo — Renascida para Vencer