— Aliás, Israel, sobre aquele burburinho na internet envolvendo a mim e a Nathalia, você conseguiu resolver aquilo? — perguntou Davi Freitas, de modo aparentemente casual, referindo-se ao escândalo recente nas redes sociais.
Exceto pelas duas crianças distraídas com seus brinquedos de montar, todos à mesa sabiam do ocorrido. O nome de Davi na frase fez com que todos olhassem imediatamente para Israel Rocha, cada um com uma expressão diferente.
Israel Rocha, um pouco constrangido, coçou o nariz.
— Resolvi, sim, mas algumas coisas acabam se espalhando sozinhas. Não tem como ficar vigiando a internet o tempo todo para apagar tudo.
O pai de Israel perguntou, cauteloso:
— Mas como foi que esse boato surgiu?
— Acho que foram alguns perfis de fofoca querendo atrair audiência, — explicou Davi Freitas. — No evento de lançamento, tanto eu quanto o Israel estávamos lá. Só que ele teve mais sorte do que eu e não foi flagrado pelos paparazzi. Se fosse, talvez o escândalo de hoje tivesse sido ainda mais absurdo.
Israel desviou o olhar, visivelmente desconfortável, sem encarar Davi.
Naquele dia, ele tinha deliberadamente se mantido afastado, não dando chance para os jornalistas ou fotógrafos inventarem nada a seu respeito.
Clara Rocha franziu o cenho:
— O mundo do entretenimento é assim mesmo. Surgem boatos, calúnias, distorcem tudo. Tem muita gente que vive de criar e espalhar essas histórias, e, por dinheiro, não têm o menor escrúpulo.
Davi Freitas soltou um leve suspiro.
— Para evitar mais fofocas, Israel, prefiro não me envolver publicamente com o filme daqui para frente.
Com poucas palavras, Davi transferiu toda a responsabilidade do filme para Israel Rocha, deixando claro à família Rocha que não tinha qualquer envolvimento com Nathalia Ribeiro.
Só então o pai de Israel se convenceu plenamente de que tudo não passava de um boato. Ficou aliviado.
— Israel, trate de não incomodar mais o Davi com questões suas, — disse ele, encarando o filho.
Quando a família Rocha se despediu, já passava da uma da tarde.
Antes de cada um seguir seu caminho, foram juntos a um restaurante para almoçar. Depois, Davi Freitas e Israel Rocha voltaram juntos ao novo apartamento de Israel.
Durante o almoço, Israel reafirmou à família que voltaria a trabalhar no Grupo Rocha no fim do mês.
Não era o que ele queria, mas não tinha escolha. Por isso, assim que chegaram em casa, foi logo tirar satisfações com Davi Freitas.
— Você sabe muito bem que, ao voltar, meu pai vai me encher querendo que eu participe de encontros arranjados. E você, ao invés de me ajudar a escapar, ainda foi lá e aceitou por mim?
Enquanto reclamava, Israel caminhou até a sala, jogou as chaves do carro na mesa de centro e pegou a garrafa de vinho que Davi Freitas havia trazido.
Seus olhos atentos correram pelo rótulo — safra e origem. Ora, um Cabernet Sauvignon Screaming Eagle de 92? Esteve mesmo planejando agradar!
Assim, nem teve coragem de continuar a bronca.

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