Dandara precisou chamar na porta: “Olá, tem alguém aí?”
Ela chamou três vezes até que uma mulher de meia-idade, usando uma camiseta tão desbotada que já não dava para distinguir a cor, saiu de dentro da casa.
A mulher, um pouco acima do peso, olhou para Dandara, que estava vestida de forma totalmente incompatível com o local, e franziu a testa: “Você está procurando quem?”
“Por favor, aqui é a casa do Diego?” Dandara perguntou educadamente.
A mulher olhou para ela com desconfiança, caminhou devagar do quintal até a porta, mas não demonstrou intenção de abrir.
Ela perguntou a Dandara, ainda com desconfiança através da porta: “Você quer falar com meu marido por quê?”
Dandara respondeu: “Estou precisando de um serviço de transporte, gostaria de saber se ele está em casa.”
Ela evitou ser direta, pensando que assim talvez pudesse encontrar o homem primeiro antes de explicar os detalhes.
A mulher examinou Dandara com o olhar mais uma vez: “Como você soube dele? Meu Diego deixou de ser motorista faz três anos. Ele não faz mais esse serviço.”
Dandara demonstrou surpresa: “Ele não faz mais?”
A mulher explicou: “Isso mesmo, três anos atrás ele sofreu um acidente, teve que pagar uma fortuna, ainda não conseguiu quitar as dívidas, vendeu o carro, e se não fosse porque ninguém quer essa casa velha, já teria vendido também. Nem teríamos onde morar. Melhor você procurar outra pessoa.”
Dandara refletiu um pouco e voltou a perguntar: “Pode me dizer onde está o Diego? Você teria o telefone dele? Se possível... eu gostaria de contratá-lo como motorista.”
Naquele tempo, as câmeras de segurança ficavam longe e o motorista que os atingiu não fugiu do local.
Provavelmente tinha sido mesmo um acidente, e o caráter daquele motorista não deveria ser ruim.
Se ele estivesse disposto a contar a verdade, ou até a mostrar o registro da viagem, Dandara realmente poderia contratá-lo.
Ela própria não precisava de motorista, mas poderia empregá-lo na empresa.
A mulher torceu os lábios, e o tom educado que tinha antes deu lugar à raiva: “Vá embora agora mesmo! Meu Diego nunca mais vai dirigir! O que ele ganhou não valeu a pena, teve que pagar pelo acidente, pagar pela mercadoria do caminhão, aquele patrão sem coração não ajudou em nada, não confio mais em gente rica como você. Meu Diego não vai mais dirigir.”

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