Apesar dos métodos de Ramon serem implacáveis, no convívio diário com as pessoas, ele sempre aparentava ser afável, racional e ao mesmo tempo um tanto distante.
Naquele momento, com o rosto fechado e aquela expressão maliciosa no semblante, os outros acreditariam que ela seria punida, mas nem a própria Dandara sabia o motivo de não sentir medo.
Filomena, ao observar o comportamento de Ramon, teve sua leve desconfiança dissipando-se pouco a pouco.
Dandara saiu junto com Ramon, caminhando em direção ao quintal nos fundos da casa.
Durante todo o trajeto, Ramon permaneceu em silêncio, uma postura que impunha certo temor.
Somente ao entrar no cômodo, Dandara voltou o olhar para Ramon, que caminhava à sua frente, e perguntou em voz baixa: “Ramon, aquele comprimido...”
De repente, Ramon se virou e segurou o queixo dela com a mão.
Dandara recuou dois passos, olhando para ele com certo espanto!
Ramon avançou outros dois passos em sua direção, apertando um pouco mais a mão, deixando uma marca avermelhada na pele delicada dela.
“Você é muito ousada, disputando com Teresa e armando para Vicente, não tem medo de morrer?” O tom de Ramon não expressava emoção, mas o olhar frio fazia qualquer um sentir medo.
Dandara, por instinto, engoliu em seco, sendo forçada a encarar Ramon nos olhos.
Ela levantou a mão e deu um leve tapinha na mão de Ramon: “Solte-me primeiro.”
Ao ver o jeito cômico como ela movia a boca ao falar, Ramon realmente afrouxou um pouco o aperto.
Dandara engoliu mais uma vez, esforçando-se para parecer calma.
Ela disse a Ramon: “Não foi por ciúmes de Teresa, tudo que fiz foi por Ramon.”
Ela sorriu de maneira doce, fitando Ramon com uma sinceridade incomum na voz.
Ramon semicerrrou os olhos, surpreso, encarando Dandara.

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