VICTOR BALTIMOR.
Elisa era muito esperta e atenta a tudo o que eu falava. Estava sempre fazendo perguntas que eu não podia responder. Respirei fundo e respondi:
— Elisa, agora você é a minha noiva e futura esposa. Eu sou o primeiro-ministro, meu cargo requer segurança. Eu tenho vários desafetos, não posso correr o risco de que um deles te pegue para me atingir.
Ela me observava séria.
— Entendo, está pensando na nossa segurança. Obrigada. Eu não pensei que tivesse muitos desafetos, pelo menos só conheço dois: Afonso e Charlotte. Falando nela, quando vai me contar sobre vocês?
Pensei que ela tivesse esquecido, mas aí estava a pergunta que eu não queria responder.
— Elisa, que tal outra hora?
Ela bufou.
— Victor, se não quer me contar, é só falar. Não fique me enrolando, que eu detesto isso — disse, se levantando e colocando as mãos na cintura.
Notei que Melissa a observava com atenção.
— É que eu não quero te contar, pelo menos não agora. Será que poderia esperar até eu estar pronto para tocar nesse assunto?
— Está bem, eu espero o seu tempo. Viu só? Doeu dizer a verdade, em vez de ficar me enrolando?
— Desculpe, não foi minha intenção.
— Bem, que tal mudarmos de assunto e colocarmos essa pequenina para dormir?
Elisa se inclinou, pegou Melissa nos braços e a levou para o trocador. Me levantei e fui atrás. Ela trocou a fralda, depois deu uma mamadeira para nossa filha. Quando Melissa terminou de tomar, ela permaneceu na poltrona, embalando nossa filha até que estivesse adormecida. Em seguida, a colocou no berço e veio se deitar.
Eu gostava de observar Elisa cuidando de Melissa. Ela realmente levava jeito para ser mãe. Eu e Melissa tivemos muita sorte em encontrá-la. Não vou permitir que ninguém ameace o que estamos construindo aqui.
Quando amanheceu, as deixei dormindo e fui para meu quarto. Hoje era véspera da minha viagem; eu precisava deixar tudo preparado para minha ausência. Passei a manhã no meu gabinete, resolvendo com Pablo a segurança de Elisa, Melissa e da casa. A empresa do sistema de segurança foi reforçar tudo e instalar câmeras em pontos cegos.
Ninguém poderá entrar na minha casa sem ser detectado.
Checando as filmagens de ontem no meu notebook, vi um futuro problema.
— De novo você bisbilhotando?
— O que disse, senhor? — perguntou Pablo, se aproximando para ver do que eu estava falando.
— Essa funcionária, outro dia estava espionando eu e Elisa na cozinha. Pedi para Átila ficar atento a ela e lhe chamar a atenção, mas parece que não adiantou muito. Ontem ela estava espionando Elisa, Cecília e Melissa no jardim.
— Essa é a Meire, não é? Não é ela que Átila disse ter uma paixão pelo senhor?
— Essa mesmo.
— Bem, a meu ver, ela pode se tornar um grande problema para a sua noiva. Já está à espreita. Eu a dispensaria logo, antes que cause problemas com Elisa.

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