VICTOR BALTIMOR.
Fiquei tenso no exato instante em que Elisa fez a pergunta. Meu corpo reagiu antes mesmo de eu pensar. Charlotte, aquela maldita.
Eu não queria falar sobre ela. Não ali, não naquela noite. Muito menos com Elisa.
Meu único objetivo desde que aquela mulher reapareceu era manter Elisa longe disso tudo, no escuro, protegida. Charlotte era instável, obsessiva, perigosa. E Elisa… Elisa já carregava preocupações demais com a gestação do nosso filho e a criação de Melissa, não quero que se preocupe com uma psicopata.
Mas eu sabia que alguém havia falado. E só poderia ser Cecília, ela é melhor amiga de Elisa, com certeza, ela havia dito alguma coisa. Minha sobrinha era intrometida, curiosa demais, bocuda demais. Assim como Elisa. As duas juntas eram uma combinação perigosa e insolente.
Olhei para Elisa e vi, no fundo daqueles olhos verdes teimosos, que ela não desistiria fácil. Aquela mulher tinha uma habilidade absurda de ir até o fim quando queria respostas.
Suspirei, cansado. Não tinha forças para aquela conversa agora.
Colei ainda mais meu corpo no dela e apoiei o rosto em seu pescoço, envolvendo-a em um abraço mais apertado. Descansei a cabeça em seu ombro, fechando os olhos por alguns segundos. O cheiro dela sempre conseguia me acalmar, mesmo quando tudo dentro de mim estava em alerta. Notei isso sempre que sentia seu cheiro.
— Podemos conversar sobre esse assunto em outro momento? — pedi, com minha voz baixa, quase um sussurro. — Eu não quero estragar nosso jantar falando em Charlotte. — Completei e esperei a reação, a reclamação e a insistência.
Já me preparava mentalmente para o estresse que viria em seguida. Mas ela não respondeu.
Em vez disso, senti seus dedos entrarem no meu cabelo, acariciando minha cabeça com cuidado. Depois, sua outra mão deslizou lentamente pelas minhas costas, num gesto claro de calma, de acolhimento.
Meu corpo relaxou antes que eu percebesse. Então ela falou, com a voz gentil, tranquila, sem cobrança:
— Tudo bem. Podemos conversar em outro momento. Percebo que esse assunto é muito delicado e te incomoda. Quando você estiver pronto e quiser me contar, estarei aqui.
Abri os olhos, surpreso. Aquilo… eu não esperava. Agradeci primeiramente em silêncio por aquela compreensão inesperada. Apertei-a um pouco mais antes de me afastar.
— Obrigado, Eli — disse, usando o apelido que Ceci havia inventado para ela.
Antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita, ouvimos uma voz animada atrás de nós:
— Vocês ficam tão lindos juntos.
Era Cecília. Elisa e eu nos afastamos imediatamente. Olhei para minha sobrinha com falsa severidade.

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