ELISA RIVER.
Eu ainda estava tentando entender tudo o que vinha acontecendo desde que saí daquele hospital. Não apenas fisicamente — o cansaço, a fraqueza, o medo constante de algo dar errado — mas emocionalmente. Principalmente isso.
Victor cuidadoso me desestabilizava mais do que o Victor arrogante. O antigo eu já conhecia, sabia como lidar, sabia como me defender. Esse novo… cuidadoso demais, atento demais, presente demais… mexia comigo de um jeito que eu não queria admitir. E me cansava. Muito.
Quando ele falou da festa de noivado, ali no quarto, fiquei apreensiva. Não era só o tom firme. Era a palavra em si. Festa. Espetáculo. Exposição. Eu teria que ficar no meio de várias pessoas desconhecidas, de um mundo ao qual eu não pertencia. Sei que seria avaliada e julgada; isso não me preocupava. Mas ter que ficar sorrindo e agindo como se estivesse gostando de tudo me incomodava.
Eu não sou mais aquela Elisa que engolia sapo para não ser inconveniente, para não criar atrito. Jurei a mim mesma que nunca mais seria a Elisa submissa, que abaixava a cabeça para tudo. Esses dias acabaram para mim.
Então, era difícil aceitar toda essa palhaçada de fazer social para um bando de gente desconhecida que estaria ali apenas para aparecer e puxar o saco do primeiro-ministro e poderoso multimilionário, Victor Baltimor.
Cruzei meus braços, tentando parecer mais firme e decidida. Fazendo como Victor sempre fazia, quando queria intimidar.
— Tenho escolha? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
— Não. Quero deixar claro que você é minha noiva.
Aquilo me incomodou. Não porque eu não soubesse que ele pensava assim, mas porque, mais uma vez, era uma decisão tomada sem mim.
— Para quem? — questionei, sentindo a irritação crescer. — Para mim ou para a sua maldita alta sociedade? E, se eu não quiser, vai me obrigar a aceitar esse espetáculo?
Ele ficou em silêncio. E, por um segundo, achei que fosse impor, como sempre fazia. Mas não. Ele respirou fundo, passou a mão pelo rosto e respondeu, mais contido:
— Elisa, eu sou uma figura pública. Não posso simplesmente ficar noivo e fingir que nada aconteceu. As pessoas esperam algo. A imprensa espera algo. E esconder esse noivado, gerará um caos na internet e vão distorcer tudo.
— Eu não importo com o que vão pensar — rebati, sem hesitar. — Eu não quero isso. Não quero me expor, Victor. Não quero flashes, comentários, julgamentos. Eu estou grávida, vulnerável, cansada. Não quero virar manchete.
Ele me encarou com atenção. Não interrompeu. E isso, por si só, já era uma novidade.
— Então o que você quer? — perguntou, aparentemente calmo.
Respirei fundo. Eu precisava ser clara.
— Já que não tenho escolha, pois já aceitei e assinei aquele contrato, aceitando ser sua noiva, quero algo simples. Um jantar. Só a família. Sua mãe, a família do seu irmão e quem você achar necessário. Nada de alta sociedade, nada de convidados que eu nem conheço. Depois, você divulga o noivado. Uma foto nossa com a família, comemorando. Pronto. Sem espetáculo.
Ele franziu a testa, pensativo.

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