VICTOR BALTIMOR.
Meu irmão saiu para fazer o que eu havia solicitado. Logo eu saberia quem esteve aqui enquanto eu dormia. Eu estava ansioso, e meu coração permanecia acelerado. Sei que aquela mulher do sonho vai me ajudar a lembrar de todos esses meses que esqueci. A sensação era estranha e inquietante ao mesmo tempo. Era como se algo dentro de mim estivesse despertando, algo que minha mente ainda se recusava a revelar por completo.
Preciso lembrar, mas sempre que tento vasculhar minha mente, sinto uma forte dor de cabeça que me deixa até sem ar. É como se alguma barreira estivesse bloqueando minhas lembranças. Sempre que forço, a dor vem como uma explosão no crânio, pulsando atrás dos olhos, fazendo minha visão até escurecer por um instante. Fechei os olhos e tentei respirar fundo, mas até isso estava difícil.
Estava tão concentrado em meus pensamentos que nem ouvi minha mãe falar. Só despertei do meu transe quando ela tocou em meu rosto.
— Filho… Victor… você está bem? — perguntava, agitada.
Olhei para seu rosto, que mostrava uma preocupação evidente. Foi aí que ouvi que os aparelhos estavam apitando.
— O quê?
— Querido, você está sentindo alguma coisa?
— Não… estou bem. — Respondi, não querendo preocupá-la.
A porta se abriu rapidamente, e o doutor Antunes entrou acompanhado de uma enfermeira. O médico veio direto para o lado da cama, olhando para os monitores.
— Os batimentos cardíacos dele estão muito altos — disse Antunes, aproximando-se e começando a me examinar.
— Estou bem — falei.
Mas não estava. Eu sentia uma pressão incômoda na cabeça e uma falta de ar que estava ficando cada vez mais evidente. Minha respiração estava pesada, curta, como se meus pulmões não conseguissem se encher completamente.
— Não está, não. Sua pressão arterial está subindo — disse ele, olhando rapidamente para a enfermeira. — Aplique a medicação agora.
A enfermeira cumpriu a ordem imediatamente.

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