ELISA RIVER.
As horas seguintes foram as mais longas da minha vida.
O relógio na parede da sala de espera parecia zombar de nós. O ponteiro avançava devagar demais, como se o tempo tivesse decidido nos punir. Cada minuto era uma eternidade. Cada segundo, uma tortura silenciosa.
Ninguém falava muito. Não havia o que dizer.
Thomas andava de um lado para o outro, com o celular na mão, mas sem fazer ligações. Ele parava, respirava fundo, passava a mão no rosto e voltava a andar. Eleonor permanecia sentada ao lado de Abigail, segurando a mão da sogra com firmeza, como se aquilo fosse a única coisa que a mantinha em pé.
Atila estava quieto demais. Sentado, o corpo rígido, os olhos fixos em um ponto qualquer da parede. De vez em quando, fechava os olhos e respirava fundo, como se estivesse rezando em silêncio.
Ceci não saiu do meu lado em nenhum momento.
Melissa dormia no meu colo, alheia a tudo. Seu rostinho sereno contrastava de forma cruel com o caos dentro de mim. Às vezes, eu a observava apenas para me lembrar de que precisava respirar. De que eu precisava ser forte. Por ela. Pelos bebês que cresciam dentro de mim. Por Victor.
Mas havia momentos em que a força simplesmente escapava.
Levantei-me algumas vezes para andar pelo corredor, incapaz de permanecer sentada. Sentia o coração acelerar sem motivo aparente, a respiração ficava curta, as mãos geladas. Em certos instantes, tinha a sensação de que algo terrível estava prestes a acontecer.
— Você precisa sentar um pouco — Ceci dizia, me guiando de volta para a cadeira. — Está grávida, Eli. Não quer ir para o hotel descansar?
— Não vou sair daqui. E eu não quero me sentar, pois não consigo ficar mais parada — respondi com a voz falha. — Cada minuto que passa dessa espera é um inferno.
Abigail nos observava em silêncio. Aquela mulher forte, imponente, acostumada a controlar situações impossíveis, agora parecia menor, mais frágil. Ainda assim, havia algo inabalável nela. Uma fé quase feroz.
— Victor é teimoso — disse Abigail, em certo momento, quebrando o silêncio. — Sempre foi. Quando decide algo, ninguém o impede. E meu filho ama viver e tem um grande motivo para permanecer vivo.
Eu quis acreditar. Me agarrei àquelas palavras como se fossem uma promessa. Mas eu estava com medo, só ficaria tranquila quando Victor estivesse bem.
O tempo continuava passando. Até que, finalmente, uma porta se abriu no final do corredor.
Todos nós nos levantamos ao mesmo tempo.
Um médico saiu, retirando a máscara do rosto. Olhou em volta, como se procurasse alguém específico.
— Família de Pablo Alves?
Atila foi o primeiro a se mover.
— Sou o pai — disse, a voz tensa.
O médico sorriu de leve, um sorriso profissional, mas sincero.
— A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos estabilizar a fratura, não houve necessidade de amputação. Ele perdeu bastante sangue, mas já está fora de perigo. Está acordando agora e será levado para o quarto nas próximas horas.
Atila levou a mão ao rosto, visivelmente emocionado.
— Graças a Deus… — murmurou, a voz embargada.
Abigail se aproximou e o abraçou.
— Eu disse — falou, com firmeza. — Nossos filhos são fortes.
Eu senti um alívio momentâneo atravessar meu corpo. Pablo estava bem. Vivo. Fora de perigo.
Mas o peso voltou quase imediatamente.

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