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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 102

VICTOR BALTIMOR.

O avião despencou.

Não foi uma descida brusca anunciada, nem uma perda gradual de altitude que permitisse qualquer preparação. Foi como se o céu tivesse simplesmente nos largado. Um mergulho violento, abrupto, que fez meu corpo ser esmagado contra o cinto de segurança com uma força brutal. O estômago subiu, o ar fugiu dos meus pulmões, e um pânico primitivo tomou conta de mim.

— Merda! — gritei, segurando com força no apoio do assento.

As luzes da cabine piscaram repetidamente, algumas se apagaram de vez. Um alarme estridente começou a soar, alto demais, agressivo demais, misturado ao som irregular dos motores, que agora rugiam como algo prestes a morrer. O avião sacudia descontroladamente, como um brinquedo jogado contra o chão.

Compartimentos superiores se abriram com violência. Pessoas gritavam. Gritos de terror, de dor, de desespero puro. Ouvi alguém rezar em voz alta, outro chorar chamando por familiares, outro apenas berrava, sem qualquer palavra compreensível. Havia umas vinte pessoas que me acompanhavam no meu avião nessa viagem eleitoral. Mas hoje, só oito voltavam comigo. Os outros resolveram voltar amanhã e eu agradeci a Deus por isso.

— Senhor Baltimor! — Alguém gritou perto de mim. — Segure firme!

Senti o avião inclinar ainda mais para frente. A sensação era de queda livre. Meu coração parecia querer sair pela boca. O chão tremia sob meus pés, o metal rangia, estalava, como se estivesse sendo rasgado por dentro.

— Estamos perdendo altitude! — A voz do comandante soou pelos alto-falantes, falha, tensa. — Tentem manter a calma!

Manter a calma. Só poderia ser brincadeira. Era impossível.

Meu corpo inteiro tremia. Um medo gelado subiu pela espinha, paralisante. Minha mente foi tomada por imagens: Elisa sorrindo, Melissa dormindo tranquila, os bebês que ainda nem haviam nascido.

Não. Eu não podia morrer ali.

— Pablo! — gritei, chamando-o no meio do caos.

Ele estava à minha frente, agarrado ao braços da poltrona. O rosto completamente pálido, os olhos arregalados, refletindo o mesmo terror que eu sentia.

— Victor! — ele respondeu, quase gritando para ser ouvido acima do barulho. — Segura firme!

O avião inclinou ainda mais. A sensação era de queda livre. E rodopiou. Olhei para frente e vi alguns seguranças sendo lançados contra o teto, outros escorregaram nos assentos. Um estalo alto ecoou — metal se retorcendo, algo se partindo.

— Meu Deus! — alguém gritou atrás de mim.

As máscaras de oxigênio caíram do teto, balançando inutilmente. O ar estava pesado, cheirando a combustível e pânico.

— Coloque a máscara! — berrou a comissária, mesmo sabendo que poucos conseguiam ouvir.

Meu corpo doía. Cada sacolejo fazia o cinto cortar meu abdômen e machucava minhas costelas. Minha cabeça girava. O medo era tão intenso que quase me paralisou. Pensei, pela primeira vez, que talvez aquele fosse realmente o fim, a ideia de morrer se tornou real, concreta.

Não veria meus filhos nascerem. Não voltaria para casa.

O avião inclinou de vez rodopiando, num mergulho seco. Senti meu corpo ser jogado de lado. Uma dor explodiu na minha cabeça quando bateu violentamente contra a lateral do assento.

— Não… — murmurei, sentindo a visão escurecer.

Houve um estrondo ensurdecedor. Depois, nada.

Acordei com um gosto metálico na boca e uma dor pulsante na cabeça, como se alguém estivesse martelando meu crânio por dentro. Um zumbido constante ocupava meus ouvidos. Levei alguns segundos para perceber que estava preso pelo cinto, o corpo inclinado estranhamente.

Então ouvi gritos.

— Socorro… — alguém gemia, com a voz fraca e desesperada, carregada de dor. — Victor!

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