Pamela
Eu acordei assustada, como se alguém tivesse me puxado para fora de um buraco fundo. O coração disparado, a respiração curta, o corpo inteiro suado. Por um segundo, eu não sabia onde estava. O quarto parecia escuro demais, silencioso demais. Meu peito doía.
O pesadelo ainda estava grudado em mim.
No sonho, eu corria. Corria sem sair do lugar. Gritava os nomes dos meus filhos, mas minha voz não saía. As paredes da casa iam se fechando, o chão sumia, e eu sentia aquele medo antigo, conhecido, aquele pavor que eu achei que nunca mais ia sentir. Eu via as mãozinhas deles se afastando de mim, e eu não alcançava.
Acordei com um soluço preso na garganta.
Levei alguns segundos para entender a realidade. Para sentir o colchão. O lençol. O ar entrando e saindo do meu peito. Então eu mexi os braços.
E senti.
Lucas estava agarrado ao meu lado esquerdo, com a perna jogada por cima da minha coxa. A cabeça pesada encostada em mim, a respiração quente, tranquila. Isabela estava do outro lado, encolhidinha, com a mãozinha fechada na minha blusa, como se tivesse medo de me perder até dormindo.
Caleb estava atrás de mim, o braço forte envolta da gente, como uma barreira.
Eu fechei os olhos e deixei o choro sair em silêncio.
Eles estavam ali.
De verdade.
Inteiros.
Respirei fundo, tentando acalmar o corpo. Passei a mão no cabelo da Isabela, bem devagar. Ela fez um barulhinho baixo, se mexeu um pouco, mas não acordou. Lucas resmungou algo sem sentido e se aproximou mais ainda.
Meu coração desacelerou aos poucos.
Fiquei ali, parada, com medo até de me mexer demais e quebrar aquele momento. Como se aquilo fosse frágil demais. Como se, se eu piscasse errado, tudo pudesse sumir.
Senti Caleb se mexer atrás de mim.
— Pam… — ele murmurou, ainda meio dormindo. — Tá tudo bem?
Virei o rosto devagar pra ele. Os olhos dele estavam semiabertos, cansados, mas atentos. Sempre atentos.
— Tô — sussurrei. — Só acordei.
Ele abriu um pouco mais os olhos, me analisando. A mão dele subiu pelas minhas costas, num gesto automático, protetor.
— Pesadelo?
Assenti de leve.
— Mas já passou.
Ele se aproximou mais, encostou a testa na minha nuca e beijou meu ombro com cuidado, como se tivesse medo de acordar as crianças.
— Eles estão aqui — ele disse baixo. — Tá tudo bem agora.
Essas palavras tinham um peso diferente quando vinham dele. Não eram só palavras. Eram promessa.

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