Ava
Eu sabia que a noite ainda me reservaria alguma cena patética.
Scarlett podia estar fingindo o sorriso, mas cada vez que eu passava perto, dava pra ver a raiva borbulhando atrás dos olhos maquiados demais. E, como toda boa vilã de novela de quinta, ela resolveu que ia me atacar com a arma em que mais confiava: o flerte barato.
Eu estava conversando com Maya e Gregório, rindo de uma piada qualquer, quando ela se aproximou com aquele andar calculado de quem acha que tem o mundo nas mãos. O vestido branco dela mal se movia com o corpo, porque parecia mais uma armadura do que uma roupa. Mas os olhos... os olhos miravam só uma coisa: o meu homem.
— Gregório... posso te roubar pra uma dança?
Maya quase engasgou com o espumante. Gregório travou a mandíbula. E eu? Eu sorri. Um sorriso calmo, debochado, afiado.
— Vai tentar me roubar esse marido também, maninha? Que obsessão, hein?
Ela forçou um sorriso, como se meu comentário fosse uma brincadeira. Mas eu sabia que ela sentiu o golpe.
— Dessa vez não vai dar certo, viu? Eu já casei com ele. Ele me ama. Você perdeu.
Scarlett ignorou. Ou tentou. Porque o olhar dela cortava como navalha.
— Só uma dança, Ava. Entre “cunhados”. Sem veneno.
Gregório me olhou. E eu assenti. Porque eu sabia que ele ia saber se virar. E, sinceramente? Eu queria ver ela se humilhar com categoria.
— Vamos lá então, Scarlett. Mas só uma dança. Por educação.
Ele a levou pra pista de dança enquanto a música mudava pra uma mais lenta. Ainda com o braço esquerdo se recuperando do tiro, tomou cuidado ao conduzi-la. E eu fiquei observando da nossa mesa, que ficava perto da pista, de braços cruzados, com um olhar que dizia: “vai lá, tenta a sorte”.
Ela se aproximou dele mais do que o necessário. Encostou o corpo, segurou a mão dele como se quisesse fincar raiz. Sussurrou algo que nem precisei ouvir pra saber o tom.
E então… eu vi o corpo dele endurecer. A postura mudar. E o fora ser preparado com toda a elegância de um homem que sabe o que tem.
Quando Gregório respondeu, sua voz saiu firme o suficiente para que eu escutasse.

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