Ava
Quando cheguei em casa, respirei fundo. O papel com o novo plano alimentar estava dobrado na bolsa como se fosse um mapa do tesouro. Só que esse tesouro era uma vida nova. Uma maneira diferente de cuidar de mim. E eu sabia que não ia ser fácil. Nada que vale a pena é.
Fui direto até a cozinha. A cozinheira, Dona Edite, estava organizando os potes da geladeira. Ela era uma senhora simpática, de riso fácil, que me tratava com carinho desde o primeiro dia.
— Dona Edite… a gente vai precisar mudar um pouco o cardápio.
Ela parou e me olhou com atenção, limpando as mãos num pano de prato.
— O que a nutricionista mandou?
Entreguei o papel. Ela leu com o cenho franzido.
— Hmmm… mais variedade, refeições equilibradas e nada de ficar passando fome, é?
— É. Eu quero me transformar. De verdade.
Ela sorriu.
— Então eu tô com você. Vou fazer tudo certinho. Vai ter comida boa e dentro do plano, combinado?
Assenti, emocionada.
— Obrigada.
Fui para o quarto, troquei de roupa e coloquei a legging e o top de treino. Quando desci, Gregório já estava na sala, vestindo uma camiseta preta colada e uma calça de moletom.
Ele me olhou de cima a baixo e sorriu.
— Cada dia mais linda. Pronta?
— Pronta.
Fomos juntos para a academia que ele mandou montar ali mesmo na casa. Era um espaço lindo, com paredes espelhadas, aparelhos novinhos, som ambiente e até ar-condicionado. E o mais importante: sem ninguém pra me olhar com julgamento.
Cissa já estava nos esperando, com seu bloquinho de notas e aquele sorriso animado de sempre.
— Bom dia, minha guerreira. Pronta pra nova fase?
— Pode vir com tudo.
Ela ajustou os exercícios. Disse que, com o acompanhamento da nutricionista, continuaríamos trabalhando minha resistência e força, sempre respeitando meus limites. Então começamos com o aquecimento pulando corda.
Pulei por alguns minutos, sentindo o corpo aquecer. Gregório pulava ao meu lado, sorrindo. Depois fomos para os abdominais. Cissa gritava as contagens como se fosse treinadora de boxe.
— Vamos, Ava! Você consegue! Três, dois, um!
Quando acabei a série, joguei o corpo no colchonete e fiquei ali por um segundo, recuperando o fôlego. Gregório me estendeu a mão e me puxou com facilidade.
— Tá arrebentando, meu amor.
Fomos para a esteira. Alguns minutos de caminhada, depois exercícios de fortalecimento. Quando acabei, estava cansada, mas feliz. Porque eu estava fazendo. Estava conseguindo.
Cissa montou uma série com agachamentos, remada baixa e tríceps na máquina. Tudo com movimentos leves e bem orientados. E eu fiz. Com força. Com vontade. Porque estava aprendendo a acreditar em mim.

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