Ava
Saí do consultório com o rosto ainda úmido. O vento frio bateu contra minha pele, mas não doeu tanto quanto algumas verdades que escutei lá dentro. Camilla não tentou me convencer de que tudo ficaria bem de uma hora para outra. Ela me fez pensar sobre coisas que eu vinha evitando havia meses. E, pela primeira vez, talvez eu estivesse pronta para começar a enfrentar tudo aquilo.
Entrei no carro que Gregório havia colocado à minha disposição, e o motorista seguiu em direção à mansão. Durante o caminho, fiquei olhando o céu nublado pela janela, pensando na pergunta que Camilla havia feito antes de encerrar nossa sessão. O que eu queria para minha vida, independentemente do que Gregório ou qualquer outra pessoa esperava de mim?
Quando chegamos, o portão já estava aberto. O segurança me reconheceu e acenou com a cabeça. Desci do carro, respirei fundo e entrei. A casa estava silenciosa. Subi as escadas devagar, ouvindo apenas o som dos meus passos contra o mármore.
Quando empurrei a porta do quarto, ele estava lá. De pé, perto da janela, ainda de terno, com a gravata afrouxada e o cabelo impecável. Gregório se virou assim que me ouviu.
Gregório: — Como foi a sessão?
Ava: — Intensa.
Ele se aproximou devagar, como se soubesse que eu estava processando mais coisas do que conseguia explicar.
Gregório: — Quer me contar?
Ava: — Quero.
Sentei na beirada da cama, e ele se acomodou ao meu lado. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que finalmente encontrei coragem para falar.
Ava: — Eu tô tentando, Gregório. Juro que tô. Mas ainda tem tanta coisa aqui dentro. Tantos medos, tantas inseguranças… Hoje eu percebi que preciso começar a cuidar de mim de verdade. Não por você, nem por ninguém. Por mim.
Gregório não disse nada. Apenas assentiu, esperando que eu continuasse.
Ava: — Quero procurar uma nutricionista, melhorar minha relação com a comida. Talvez conversar com uma endocrinologista também. Quero voltar a fazer alguma atividade física, encontrar coisas que me façam bem. Eu passei tanto tempo me deixando de lado que nem lembro mais como é cuidar de mim.
Ele virou o rosto e me encarou.
Gregório: — E o que te fez decidir isso?
Ava: — Porque eu quero me sentir bem comigo mesma. Quero voltar a me olhar no espelho sem lembrar de todas as coisas horríveis que ouvi. Não quero passar o resto da vida tentando ser a mulher que Brian queria.
Ele pegou minha mão devagar.
Gregório: — Então eu vou te apoiar. No que você precisar.
Ava: — Mesmo que eu demore?
Gregório: — Ava, você não precisa correr pra provar nada pra ninguém. Muito menos pra mim.
Engoli em seco, sentindo a garganta apertar. Gregório tinha um jeito estranho de falar coisas que me faziam querer chorar. Talvez porque eu estivesse tão acostumada a ouvir críticas que ainda não sabia receber compreensão.
Ava: — Você conhece algum profissional de confiança?
Gregório: — Conheço a doutora Isabela Menezes, uma endocrinologista. Posso te passar o contato. Também consigo algumas indicações de nutricionistas. Você escolhe com quem quer se consultar.
Ava: — Sério?
Gregório: — Claro. E se quiser fazer alguma atividade física, temos espaço aqui na mansão. Posso procurar uma profissional pra te acompanhar, se você preferir.
Ava: — Acho que gostaria de começar com alguma coisa tranquila. Sem um monte de gente me olhando.

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