Aurora percebeu os olhares fofoqueiros de todos. Ela não queria ter muito contato com Valentino, então deu um passo e foi para dentro.
— Qualquer assunto, falamos depois.
Quando as pessoas perceberam que ela ignorava o Valentino, a curiosidade delas aumentou ainda mais.
Valentino segurou o pulso dela. — É sobre trabalho.
Sons de discussão vieram da multidão. Aurora moveu o pulso, Valentino não usou muita força, e ela se soltou.
Ela respirou fundo e foi para o lado. — O que foi? Fale logo.
Ela abaixou os olhos e olhou para o relógio; a hora da saída havia chegado, e Beatriz ainda a esperava na sala de aula.
— Você é a Restauradora-Chefe do resgate de pinturas antigas.
Aurora levantou os olhos para olhar; ele falou como uma pergunta, mas o tom era muito afirmativo.
— O que você quer dizer, afinal?
Ela parecia impaciente, e Valentino não fez rodeios: — A Isabel também é restauradora, e ela quer participar desse projeto.
Isabel era restauradora?
Aurora não pôde deixar de suspeitar se Valentino gostava muito da profissão de restauradora.
Senão, por que todas as namoradas que ele arrumava eram restauradoras?
Não é à toa que ouviu Rafael dizer há dois dias que Valentino tinha ido comer com o Mestre Lauro.
Então era para conseguir uma vantagem para Isabel. Pelo visto o Mestre Lauro não concordou, e por isso ele veio procurá-la.
Por causa de Isabel, ele realmente fez de tudo.
— Impossível. — Aurora disse com firmeza.
Já que Isabel foi rejeitada pelo Mestre Lauro, isso significava que ela não era qualificada o suficiente para entrar no projeto.
Por que ela deveria dar uma vantagem para uma pessoa irrelevante?
Se algo desse errado, Isabel teria Valentino para protegê-la, mas a responsabilidade dela como Restauradora-Chefe seria enorme.

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