Depois de falar, Aurora passou por Isabel, abriu a porta e saiu.
Isabel ouviu os passos dela se afastando, com uma expressão um tanto atordoada.
Ela olhou para trás, para as costas descontraídas dela, e acreditou um pouco em suas palavras.
Talvez ela realmente não gostasse de Valentino.
Aurora abaixou a cabeça e mandou uma mensagem para Rafael, dizendo que ia sair do banquete, e ele respondeu quase no mesmo segundo.
Quando estava quase chegando ao carro, recebeu uma ligação de Beatriz.
— Mamãe, já escureceu, por que você ainda não voltou para casa? — O rostinho pequeno de Beatriz estava cheio de preocupação.
— A mamãe já está voltando, peça para a Dona Lucinda dar banho em você primeiro, e quando você terminar, a mamãe já vai estar em casa.
A melancolia no coração de Aurora desapareceu ao ver Beatriz.
Beatriz era a luz da sua vida, capaz de fazer todas as suas preocupações desaparecerem.
— Tá bom, mamãe, tome cuidado no caminho, quando você voltar eu tenho uma surpresa para você. — Beatriz fez uma cara de mistério.
— Que surpresa? — Aurora perguntou, cheia de expectativa.
— Não posso contar, você vai saber quando voltar.
— Certo, a mamãe chega em casa logo.
Ao desligar o telefone, Aurora levantou a cabeça e só então notou um homem alto parado não muito longe.
Seu rosto ficava totalmente oculto pela escuridão, não dava para ver os traços do rosto dele direito.
O corpo de Aurora ficou tenso instantaneamente.
Como Valentino poderia estar ali?
O quanto ele ouviu?
Ela reprimiu o pânico, tentou parecer o mais normal possível, abriu a porta e entrou no carro.
Levantou a mão para fechar a porta, mas ela foi segurada por uma força forte.
— Os boatos dizem que o Sr. Monteiro é frio e inacessível, mas por que eu sinto que você está grudando em mim igual cola?
Valentino abaixou os olhos e observou silenciosamente o perfil rosado da mulher.
Ele não ficou nem um pouco bravo com o que Aurora disse, e seu olhar estava escuro.

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