— Não estou em Santa Mônica, não vou poder ficar com a Nono. — Flávia pensou por alguns segundos e decidiu dizer a verdade.
Arthur hesitou por um segundo, ligeiramente tenso. — Onde você está? Posso levar a Nono até você. Por acaso não estou ocupado ultimamente e queria levá-la para passear.
— Estou a trabalho. Mesmo que você traga a Nono, não vou poder brincar com ela. Fica para a próxima.
Flávia não revelou sua localização para Arthur. Tinha custado muito a sair de Santa Mônica e não queria que perturbassem sua paz tão cedo.
— Tudo bem, espero você voltar. — O olhar de Arthur escureceu.
Ele fez uma ligação. — Vá investigar se a Flávia viajou a trabalho.
Dez minutos depois, recebeu uma ligação.
— Flávia foi atrás do Papel de Fibra, é realmente por necessidade de trabalho.
— Certo. — Arthur desligou o telefone.
Não sabia o motivo, mas no instante em que ela falou que tinha saído de Santa Mônica.
Teve a sensação de que ela não voltaria.
-
No dia seguinte.
Flávia seguiu Ricardo até o local de trabalho.
— Essas são as cascas de árvore que guardamos. Elas passam por molho, cozimento, batimento das fibras e outros processos complicados até se transformarem em papel.
Era a primeira vez que Flávia aprendia sobre a produção do Papel de Fibra.
Ricardo usava galochas e estava com as mangas arregaçadas. Lúcia vestia o mesmo, com o cabelo preso no alto.
Os dois jogaram as cascas em um riacho da Vila das Pontes, que tinha uma barreira para garantir que não fossem levadas pela correnteza.
Só a imersão levava de sete a oito dias.
Nesses sete ou oito dias, Flávia levava uma vida bem tranquila e sem pressas.
O tempo passou voando.
Uma semana depois, começou a próxima etapa.


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