Ao ver os policiais na porta, sua voz parou, meio confusa.
— Senhores policiais, o que vocês querem comigo? Eu sou uma boa cidadã que cumpre a lei.
O policial tirou o distintivo do bolso da jaqueta e o mostrou, sem expressão: — A Sra. Heloísa processou você por lesão corporal dolosa. Agora você precisa nos acompanhar para dar um depoimento.
Pietra não resistiu e soltou um palavrão: — Droga!
— Por favor, seja educada. — O rosto do policial fechou.
Voltando a si, Pietra pediu desculpas sem graça: — Desculpe, desculpe, eu não estava xingando vocês.
O policial não lhe deu chance de se explicar. Entraram no carro e foram direto para a delegacia.
Na sala de interrogatório.
— Por favor, conte o que aconteceu quando você agrediu no hospital. — O policial segurava uma caneta, encarando-a fixamente.
— Foi a Heloísa quem começou a provocar a minha amiga e, além disso, foi ela quem agrediu primeiro. Eu só agi em legítima defesa.
Pietra falou com naturalidade e convicção.
— Pelas imagens das câmeras de segurança, a senhorita Heloísa deu o primeiro ataque. Mas depois que você impediu que ela batesse em você, ela não partiu para cima novamente. Ou seja, ela já não representava mais nenhum perigo.
— Quando você já não estava mais em perigo, você bateu na Sra. Heloísa. Então, quem agrediu primeiro foi você. A responsabilidade que você deve assumir é maior, além do mais, a Srta. Heloísa ficou mais ferida.
Pietra deu um sorriso zombeteiro: — Claramente foi a Heloísa quem começou. Vocês estão invertendo as coisas. Não importa o que digam, eu não vou indenizar a Heloísa nem abaixar a cabeça para ela.
Ela olhou fixamente nos olhos do policial.
— Diga logo, o que a Heloísa quer fazer?
Os dois policiais se entreolharam e um deles pegou o laudo de lesão corporal e entregou a Pietra.

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