Ele tossiu levemente e, obediente, continuou a comer, sem mais tocar naquele assunto.
Quando já estavam de estômago cheio, Vitória começou a arrumar o pequeno sofá, enquanto Félix não tirava os olhos dela.
"Você vai mesmo descansar aí?"
"Caso contrário, vou procurar um hotel aqui perto e volto amanhã pra te ver, tudo bem por você?"
Ao ouvir isso, Félix ficou em silêncio de novo, visivelmente contrariado.
Vendo aquela expressão dele, Vitória não pôde deixar de achar engraçado.
Ela se sentou no sofá, pegou a manta ao lado e se cobriu, encolhendo-se toda ali. Aquela posição, na verdade, lhe dava uma sensação confortável de segurança.
"Pronto, assim está ótimo. Gostei desse lugar." Ela sorriu, os lábios curvados.
Félix foi escovar os dentes e deitou-se na cama, olhando de vez em quando para o lado de Vitória.
Ao ver a mulher quase se fundindo ao sofá, olhos fechados, Félix sentiu o coração amolecer completamente.
Aquela emoção que ele não conseguia entender parecia crescer cada vez mais dentro dele, tornando-se aos poucos mais nítida.
Quando fechou os olhos, percebeu que sua mente estava tomada pela imagem de Vitória.
Sentiu algo crescendo dentro de si, como se estivesse finalmente entendendo alguma coisa.
Ele já conhecia Vitória de antes, será que gostava mesmo dela?
"Nós somos apenas bons amigos?"
Depois que as luzes se apagaram, Félix falou de repente.
Vitória abriu os olhos devagar. O quarto escuro a deixava um pouco inquieta.
Procurou pelo lado da cama e disse: "Talvez nem amigos sejamos?"
Talvez fosse a verdade. O relacionamento entre ela e Félix era realmente indefinido. Fora o fato de ele sempre ajudá-la, Vitória não sabia que tipo de ligação havia entre eles.
Mas como a situação de Abel ainda não estava resolvida, ela temia que sua ida pudesse piorar tudo.
Com os pensamentos cada vez mais confusos, Vitória forçou-se a se acalmar e a tentar dormir.
Se Félix recuperasse a memória agora, talvez nada tivesse ficado tão complicado.
Na manhã seguinte, Vitória acordou de imediato, como se despertasse num segundo.
Observou Félix, que ainda dormia profundamente, e foi preparar o café da manhã.
Mas quando terminou de se arrumar, ele já estava acordado.
Sentado na cama, ele seguia cada um dos movimentos dela com o olhar, mas parecia um pouco preocupado.
"Levanta, vai escovar os dentes. Vamos fazer os exames, depois tomamos café." Vitória organizou tudo e virou-se para chamar a cuidadora.
Mas foi interrompida.

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