Elisabete ficou profundamente chocada ao terminar de ler o prontuário de Teresa.
Ela jamais imaginara que seu filho, seis anos atrás, já havia montado um laboratório de pesquisa especialmente para Teresa, dedicado ao desenvolvimento de um coração 3D.
Ainda mais surpreendente para ela foi descobrir que Teresa só tinha mais três anos de vida.
Não era de se estranhar, então, que seu filho estivesse determinado a se casar com ela, custasse o que custasse.
Elisabete olhava para o prontuário, recordando as palavras que trocara com Teresa da última vez.
[Se você acha que está atrasando a vida de alguém, isso não vai durar muito tempo, não é mesmo?]
Sem querer, aquelas palavras haviam se tornado realidade.
Antes, Elisabete estava aborrecida porque Teresa havia agredido seu filho na noite anterior.
Agora, contudo, um sentimento de melancolia difícil de descrever tomava conta de seu coração. Aquela não era sua intenção; ela imaginara que Flávia viveria até os quarenta anos, então Teresa, ao menos, também teria até os quarenta.
Celestina, ao perceber a expressão carregada de Elisabete, continuou: "Dona, a criança pode ficar sob os cuidados da senhora."
"Não tenho grandes pretensões, apenas admiro o Sr. General."
Elisabete levantou os olhos, sentindo grande antipatia por Celestina. Palavras de repreensão dançavam em sua mente, mas, por respeito ao fato de Celestina ser a responsável pelo laboratório de corações — e, afinal, o coração de Teresa estava em suas mãos —, ela manteve o tom polido e cordial: "Agradeço muito a consideração da Dra. Leitão."
"Porém, meu filho não gosta de crianças, nem eu nem meu marido gostamos." Elisabete sorriu, notando o olhar surpreso de Celestina, e estendeu a mão para dar-lhe um leve tapinha: "Você tem se dedicado muito ao laboratório 3D."
"Espero que a Dra. Leitão continue se esforçando. Nossa Família Guerra jamais deixará de reconhecer o seu valor."
Celestina não esperava tal reação de Elisabete. A Família Guerra era poderosa, Robson era um homem de destaque, o único filho do casal. Como poderiam ser pais tão liberais assim?
Ela ficou olhando Elisabete se levantar, sem saber como reagir, permanecendo sentada ali.
Elisabete guardou uma dezena de prontuários em sua bolsa, falando em um tom ligeiramente neutro: "Essas questões privadas... a Dra. Leitão deveria ser mais cuidadosa."
"Claro, não estou te culpando."
"Mas, se tais informações caírem em outras mãos, será uma falha sua." Desta vez, Elisabete falava de cima, e ao ver Celestina paralisada, seu olhar se tornou ainda mais frio, embora suas palavras soassem amenas: "Você já trabalha para meu filho há alguns anos, deveria conhecer bem o temperamento dele."
"Sim." Celestina se levantou depressa.
Apenas então Elisabete ficou satisfeita e disse: "Ouvi falar do que aconteceu na delegacia anteontem, deve ter sido difícil para você."

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Máscara do Casamento: Sinceridade e Engano
Por que escrevem que os capítulos são gratuitos e no entanto do 41 para frente estão todos bloqueados e tem que pagar? Por que mentir que são liberados?...