Ela, é claro, sabia disso. Ela era a esposa dele.
Teresa não percebeu o duplo sentido nas palavras de Robson. "Talvez seja algo importante que precise falar comigo."
Robson soltou a mão dela. Sentiu como se água fria tivesse inundado seu peito, deixando um vazio gélido — uma sensação desconfortável.
Teresa atendeu a ligação, e do outro lado ouviu a voz de Raul.
"Mamãe, a Beatriz vai voltar para participar do casamento?" Raul perguntou com preocupação. "Estou com muita saudade dela."
Teresa olhou para Robson, mas ele desviou o olhar para fora da janela, com uma expressão difícil de abordar.
"Ela não vem." Teresa respondeu de maneira tranquila.
"Então eu posso ser o pajem do casamento da mamãe?" Raul continuou, ainda preocupado.
"A mamãe vai perguntar ao Sr. Guerra e depois te responde, tudo bem?"
Ela não sabia se a família Guerra tinha outros planos, então era melhor consultar antes de tomar qualquer decisão. Agir por conta própria não era adequado.
Raul respondeu obediente com um "tá bom". "Agora é a vez do papai falar com você."
Logo em seguida, a voz de Gustavo soou no telefone, e Teresa sentiu imediatamente o ambiente ao seu redor se tornar mais pesado, como se o abraço que a envolvia ganhasse um peso diferente.
"Teresa, amanhã você tem um tempo livre?"
"Raul quer ir ao parque de diversões, mas eu não tenho como acompanhá-lo."
Ao falar de estar com Raul, Teresa se encheu de energia.
Ela sorriu. "Posso ficar algumas horas, sim."
"Vou pedir para a Melinda te buscar de carro."
"Está bem."
Teresa guardou o celular e olhou para Robson.
O rosto de Robson, esculpido com perfeição, era belo até de perfil — o nariz reto, a mandíbula afiada como lâmina, transmitindo uma frieza difícil de decifrar. Não se sabia se ele estava cansado ou irritado, mas o ar ao seu redor parecia mais gélido.
A mão de Teresa, ainda enfaixada, doía cada vez que ela se movia.
Ela estendeu a mão para puxar a manga dele.
Talvez fosse porque Beatriz foi a primeira pessoa que viu ao nascer, e entre eles se criou um laço especial.
Ela até suspeitava que o Sr. General só tinha oficializado o casamento por achar Beatriz adorável.
"Além disso, como vamos explicar para o tio e a tia sobre a existência de Beatriz?" Teresa se aproximou de Robson, nervosa, o rosto quase tocando o dele enquanto ele inclinava o olhar para baixo.
Robson sentiu o aroma doce e envolvente dela, e a mão que repousava atrás das costas de Teresa se apertou levemente. "Beatriz é minha filha, a neta deles."
"Não é certo mentir para eles."
Teresa abaixou os olhos, e os cabelos macios roçaram o pomo de adão de Robson.
Mentiras sempre acabam sendo descobertas, e, quando isso acontecesse, só pioraria a relação entre todos.
Ser enganado nunca era algo fácil de aceitar.
Robson sentiu a garganta apertar e segurou o rosto delicado de Teresa com as duas mãos. "Por que seria uma mentira?"
"Ela é minha filha. Tenho a guarda, o direito de criá-la, de educá-la."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Máscara do Casamento: Sinceridade e Engano
Por que escrevem que os capítulos são gratuitos e no entanto do 41 para frente estão todos bloqueados e tem que pagar? Por que mentir que são liberados?...